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ÁGUA E CIÊNCIA

Qui, 11 de Junho de 2015 13:21

“Brasil tem enorme potencial hidráulico a explorar”, destaca Jorge Samek, diretor-geral da Itaipu Binacional

Escrito por  Vacy Alvaro
Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu. Foto: Itaipu Binacional Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu. Foto: Itaipu Binacional

Segundo o Balanço Energético Nacional de 2014, a contribuição da energia hidráulica na matriz energética brasileira é de aproximadamente 71%. Além de ser limpa e renovável, a fonte se destaca pelo baixo custo, o alto rendimento e o aproveitamento da grande disponibilidade de recursos hídricos no Brasil. 

Em entrevista à Web Rádio Água, o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, destacou a expansão das usinas hidrelétricas aproveitando um enorme potencial existente no País, sobretudo na região Norte. O diretor ainda citou o conceito de usinas-plataforma como uma boa alternativa de baixo impacto ambiental para as regiões mais remotas do País: 

“O Brasil ainda tem 60% do seu potencial hidráulico no Norte. É lá que está o Rio Amazonas, o Rio Negro, o Rio Tocantins, o Rio Xingu... e está se trabalhando na expectativa de como usar isso e fazer o menor estrago possível à natureza. Então veio o conceito das usinas-plataforma. Encontra uma região que não tem habitação, não tem cidade, mas tem um potencial hidráulico enorme, e lá constrói a usina e depois recompõe toda a mata e toda a operação dessa usina é feita de forma remota, distante da usina. Só tem operários para fazer a sua manutenção, que vão de helicóptero, igual a uma plataforma de petróleo, e com isso não se faz desmatamento, não abre novas trincheiras para a abertura para a abertura de novas cidades, e com isso se preserva aquilo que o Brasil quer preservar do ponto de vista da sua biodiversidade, mas ao mesmo tempo extrai esse potencial extraordinário de usina limpa e renovável que a hidráulica fornece. Ficaram prontas uma série de usinas (hidrelétricas), a maior parte delas na região Norte do Brasil, onde está o grande potencial hidráulico do Brasil. Com esses investimento todos atingimos 40% da nossa capacidade hidráulica. Então ainda temos 60% a explorar.  E para isso, tem uma tecnologia - que o Brasil é campeão nisso – que são as grandes linhas de transmissão (tanto em corrente contínua como corrente alternada). Isso tudo entrando funcionando e voltando a chover dentro da normalidade, obviamente que os preços da energia elétrica voltarão aos preços de 2013, que é uma boa notícia ao consumidor”. 

Como reflexo dessa expansão do setor está a diminuição progressiva do percentual de participação de Itaipu na energia elétrica consumida no País. O dado é importante para a segurança energética nacional, segundo Samek. O diretor também explicou os motivos que levaram a binacional a investir também em pesquisas relacionadas a outras fontes renováveis de energia: 

“A Itaipu fechou o ano passado com quase 17% do suprimento de toda energia elétrica consumida no Brasil. A cada ano que passa agora, a nossa participação vai diminuindo. Com a entrada das usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), em breve a operação da usina de Belo Monte, Angra 3 (também para o próximo ano), uma centena de termoelétricas que foram instaladas no Brasil e três centenas de hidráulicas (de tamanho de PCH – pequena central hidrelétrica, médias e até algumas grandes) que estão em construção no Brasil nós vamos ampliando a capacidade total de abastecimento de energia. Quanto mais cresce o nosso potencial instalado, a participação de Itaipu vai diminuindo. Mas nós devemos fechar esse ano ainda com uma participação próxima de 16% de toda a energia consumida no Brasil e mais de 75% de toda energia consumida no Paraguai. Essa é uma ótima notícia: a segurança energética. Quanto menos depende de uma só usina é muito melhor. Quando você tem diversas fontes te fornecendo, de diversas regiões, você tem muito mais capacidade de enfrentar um problema sem dar nenhum prejuízo para os consumidores de energia, quer seja da indústria, do comércio ou mesmo residencial. Para poder construir a hidrelétrica de Itaipu, o nosso país – junto com o nosso sócio Paraguai – teve que trazer para Foz do Iguaçu os maiores especialistas em produção de energia, em barramento, em fazer a transmissão dessa energia, e isso obviamente exigiu um esforço enorme de cientistas renomados e com experiência que vieram morar em Foz do Iguaçu. E daí foi um passo para começarmos a fazer pesquisa em mobilidade, em veículos elétricos, em aproveitamento de metano, por exemplo, essa grande quantidade de dejetos que estava contaminando o lençol freático. Isso já não é mais problema. O problema virou uma solução. A solução é que isso vira energia e vira adubo. E Itaipu, obviamente, detém o conhecimento necessário para fazer essa transformação. Então foi um passo natural de nós passarmos a trabalhar na questão solar, na questão eólica e todas as fontes de energia para que pudéssemos ir aplicando esses conhecimentos”.


Percentual de participação de Itaipu no fornecimento de energia elétrica no País está diminuindo com expansão do setor. Foto: Itaipu Binacional

A Matriz Energética Brasileira é considerada um exemplo para o mundo por apresentar uma grande participação de fontes limpas e renováveis. Para manter este panorama, Samek destaca o avanço na instalação de usinas eólicas e no desenvolvimento de pesquisas na área da energia solar:  

“A grande fonte de abastecimento de energia elétrica na Europa é carvão, assim como na Rússia e na China. Os próprios Estados Unidos são muito dependentes de carvão e de gás. Isso tudo polui. As pesquisas apontam muito para trabalhar em eólica e solar. O que tem de problema na eólica e na solar? São energias absolutamente limpas, mas intermitentes. Por exemplo, à noite não produz solar. Como é que eu faço para abastecer um hospital, um supermercado, um frigorífico, um metrô. Não posso ter energia hora sim, hora não. Energia tem que ser 24 horas por dia.  Então tem que ser a somatória dessas energias para dar uma possibilidade de poder ter uma segurança energética. O Brasil vai fechar o fim do ano que vem (dezembro de 2016) com quase 9% de todo o potencial instalado proveniente de fontes eólicas. E junto com isso, pesquisa na solar. Nós estamos trabalhando, inclusive aqui em Itaipu, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) trabalha muito no processo de armazenar energia solar. Nós vamos ter que aproveitar esse sol do dia e armazenar. Armazenar quer dizer baterias. Nós estamos desenvolvendo isso em carros elétricos, queremos levar energia para essas regiões que estão muito distantes. Para você levar rede de energia, ás vezes são milhares de quilômetros para atender 200 famílias, e por isso se torna economicamente quase inviável. A solução disso é exatamente a eólica e a solar. Poder armazenar isso e com isso abastecer essas comunidades mais distantes. Portanto acho que a solar e a eólica vão ganhar muito espaço nas próximas décadas”.

De acordo com um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), até 2050 o Brasil deve chegar próximo à casa dos 230 milhões de habitantes, com o acréscimo de quase 40 milhões de domicílios. Para manter a matriz energética limpa, mesmo com o aumento da demanda, o País deve investir na diversificação de fontes renováveis. 

Última modificação feita em Qui, 11 de Junho de 2015 13:30
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Vacy Alvaro

Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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