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ÁGUA E CIÊNCIA

Vacy Alvaro

Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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Pouca gente se dá conta no dia a dia, mas investimentos em questões relacionadas à água podem impactar diretamente na geração de empregos e no desenvolvimento de uma região. Foi isso o que apontou o Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos.

Segundo o documento, três a cada quatro postos de trabalho dependem essencialmente da água, e que problemas como escassez e falta de acesso podem limitar o crescimento econômico global nos próximos anos. Em virtude disso, neste ano a relação “Água e Emprego” foi elencada como tema principal do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março pela ONU-Água, mecanismo interagencial das Nações Unidas.

Em entrevista à Web Rádio Água, a diretora da Agência Nacional de Águas (ANA), Gisella Forattini (foto à esquerda), comentou sobre estes dados e a crise hídrica vivenciada pelo Brasil, sobretudo nos últimos dois anos. Apesar da crise hídrica ter tomado parte dos noticiários e chamado a atenção da sociedade para a preservação da água, pouca dessa preocupação teria se traduzido numa mudança comportamental do brasileiro: 

“Esse relatório traz a água como um insumo produtivo indispensável às atividades econômicas, seja para produção de energia, seja para a produção de alimentos. A água vincula-se de modo absolutamente determinante para a criação e manutenção do emprego e do trabalho. Nós temos, de acordo com esse relatório, cerca de 3 a cada 4 postos de trabalho da força produtiva global são altamente dependentes ao acesso da água ou qualquer outro serviço relacionado com a água, demonstrando dessa forma que a água é essencial para a manutenção e criação de empregos diretos. É evidente que a crise traz para a discussão todo brasileiro. Cada brasileiro sabe o que isso representa em suas atividades diárias. Sem dúvida isso trouxe todo mundo falar sobre o Cantareira. Os brasileiros estavam acompanhando a questão do Cantareira. Então isso tudo tem um lado positivo, que é trazer para as discussões diárias a questão da crise. Se você me pergunta se o comportamento do brasileiro mudou, vou dizer que muito pouco em relação ao consumo da água. A questão da abundância, porque o Brasil detém 12% de toda a água doce do planeta e isso traz uma ideia errada para nós, porque essa água é muito má distribuída. Você tem locais, como no Sul, que tem abundância de água (inclusive para a agricultura), e você tem o Semiárido Brasileiro com índices baixíssimos de água”. 

Gisella Forattini também comentou sobre as ações promovidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) em relação à segurança hídrica e outros aspectos que envolvem a oferta de água em qualidade e quantidade à população: 

“Nós temos aprendido muito porque essa questão de falta de água antigamente era típica da região do Semiárido. E nós vimos que, em 2014 e 2015, a região Sudeste sofreu muito com a crise hídrica. Então é uma questão de gestão de água. Quando a crise se instala é necessário sentar-se em volta de uma mesa, chegar a um acordo mínimo, discutir resoluções… Nós tivemos uma situação muito dramática no Piranhas-Açú, em que tivemos, junto com os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, de tomarmos uma decisão de impedirmos a irrigação e o uso da água para a agricultura nessa bacia, porque tínhamos que preservar a água para o abastecimento humano, que é a condição primeira da nossa lei. Temos trabalhado em várias frentes aqui na Agência Nacional de Águas (ANA): fortalecido os estados por meio do Pró-Gestão, que é um programa interessante onde definimos metas juntamente com os estados e conselhos estaduais de recursos hídricos. Estamos trabalhando num plano nacional de segurança hídrica juntamente com os estados e o Ministério de Integração Nacional definindo obras estruturantes necessárias. E quanto eu falo em segurança hídrica, não falo apenas na questão de reservação. É fazer a água andar por meio de adutoras e tudo mais. Estamos trabalhando junto com o Ministério das Cidades num Atlas de Despoluição de Bacias Hidrográficas. A água não fica escassa só pela quantidade, mas pela qualidade. Se você tem esgoto sendo jogado in natura nos nossos rios, isso faz com que tenhamos menos água em qualidade para o abastecimento urbano. Então a gente vem tomando algumas iniciativas, trabalhando bastante, inclusive com o setor da agricultura, para saber qual a real demanda do campo. Enfim, com os vários setores para conseguirmos ter uma melhor ideia, tanto de disponibilidade quanto de demanda nas diversas regiões do Brasil”. 

Nesta terça-feira (22), em alusão ao Dia Mundial da Água, a Agência Nacional de Águas (ANA) promove uma série de atividades em sua sede, em Brasília (DF). O Seminário sobre a Crise Hídrica e a Segurança de Barragens no Brasil, será dividido em quatro linhas principais: 

“Uma é discutir a crise que continua assolando o semiárido e tem perspectiva de piora nessa situação; outra questão vai ser o desastre de Mariana (MG), onde tivemos o Rio Doce absolutamente impactado; uma terceira mesa discutindo as questões da crise hídrica e as lições aprendidas com a própria crise; e uma quarta mesa com alguns lançamentos importantes, tanto da Agência Nacional de Águas (ANA) quanto da Organização das Nações Unidas (ONU). Nós temos também o lançamento do Sistema Nacional de Formação de Recursos Hídricos junto com o nosso Relatório de Conjuntura. Temos o lançamento do Monitor de Secas e um filme sobre o 8º Fórum Mundial da Água, que vai acontecer no Brasil em 2018”. 

Para os próximos dois anos, os temas do Dia Mundial da Água já foram definidos. Em 2017, as discussões serão acerca da Água Residual, resultante de diferentes tipos de processo e que geralmente pode ser reutilizada para fins que demandem menos qualidade. Já em 2018, o tema será Soluções Naturais para a Água. 

Em alusão às comemorações do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a Embrapa Pecuária Sudeste irá lançar um livro inédito no País sobre a relação entre a produção animal e os recursos hídricos. A obra será lançada durante o IV Simpósio em Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH), que será realizado nos dias 22 e 23 de março, em São Carlos (SP). 

Em 11 capítulos, a publicação conta com a participação de diversos pesquisadores e profissionais da área, que abordam dentro de suas especialidades esta relação. No livro ainda são relatadas experiências internacionais, de países como Nova Zelândia, Argentina e Portugal. De acordo com Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, o livro deve servir como referência para os pesquisadores:

“É um livro numa linguagem mais técnica, não é um livro de cunho científico, porque a ideia é pegar o conhecimento já existente, o que já está validado, o que já funciona e servir como um grande apoio para o público que vai desde estudantes, profissionais agropecuários, pessoal da extensão rural e das agências de licenciamento ambiental até pesquisadores, para terem a publicação como uma referência de quando quiser elucidar algumas questões ou saber como a água se relaciona com essa atividade”. 

A obra é uma realização da Embrapa Pecuária Sudeste e terá uma versão eletrônica disponibilizada gratuitamente ao público: 

“Só serão impressos alguns exemplares para distribuição aos participantes do evento, então todo participante vai ganhar um exemplar da obra de forma impressa, mas aqueles que não puderem estar presentes, poderão acessar em forma digital que vai ficar disponibilizada para ser baixada gratuitamente na página eletrônica da Embrapa Pecuária Sudeste”.

Para saber mais informações sobre o IV Simpósio em Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH), acesse www.cppse.embrapa.br.

Você sabia que após o término de sua vida útil, os pneus podem ser reaproveitados de diversas maneiras? A borracha moída pode ser transformada em asfalto ou ainda servir como combustível em fornos de indústria de cimento que possuem licenciamento ambiental para este tipo de atividade. 

Desde 2012, o Governo do Paraná mantém um termo de compromisso assinado com o setor produtivo, no qual fabricantes e importadores de pneus se comprometem em coletar e dar uma destinação final aos produtos inservíveis. Desde que foi firmado o acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, mais de 265 mil toneladas de pneus sem condições de uso foram retirados de circulação em todo o Estado, uma média de aproximadamente 60 mil toneladas por ano. 

Segundo o coordenador de Resíduos Sólidos da Secretaria, Vinício Bruni, o serviço é um cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ele também explica como funciona a logística reversa: 

“Desde 2010, a Política (Nacional de Resíduos Sólidos) já estabelece, pelo sistema de logística reversa, essa obrigação. Então são várias cadeias produtivas que tem esse compromisso. A cadeia toda deve trabalhar para que esse pneu, esses materiais e essas embalagens retornem à sua origem. É fundamental a participação do consumidor. Se ele não fizer a parte dele, não é possível chegar ao objetivo. Tem que começar pelo consumidor desenvolvendo para a loja (varejo), aí ele retorna através de um sistema de transporte combinado por cada cadeia, para a própria fábrica ou para alguém que ela indica, e assim ocorre a transformação de cada produto”. 

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) é responsável pelo licenciamento ambiental do coprocessamento do pneu e pela fiscalização. Ao todo, 91 municípios contam com pontos de coleta dos materiais. Além da questão ambiental, outra preocupação evidente é evitar o surgimento de focos de proliferação do mosquito da dengue. 

A hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo (AM), tem capacidade instalada de 260 MW, mas entrega menos da metade desta energia em virtude do baixo nível de seu reservatório. Para abastecer a população local de maneira mais satisfatória, a nova aposta da usina está na energia solar. 

Neste mês, por meio de um projeto-piloto pioneiro no País, foram instaladas placas fotovoltaicas no lago da usina. Nesta primeira fase, a produção será de 1 megawatt (MW) de energia, mas até outubro de 2017 a previsão é que a potência seja ampliada para 5 MW, numa área equivalente a cinco campos de futebol, e com energia suficiente para abastecer cerca de 9 mil residências. 

De acordo com o ministro de Minas e Energias, Eduardo Braga, projetos como este podem trazer uma série de benefícios para as suas regiões: 

“Utiliza a nossa infraestrutura ociosa em subestação e linha de transmissão existentes e que nós vamos poder suplementar com energia solar com custo muito reduzido, fazendo com que tenhamos eficiência energética, segurança energética, melhor gestão hídrica dentro dos nossos reservatórios, e ao mesmo tempo baratear a energia para que a tarifa de energia elétrica seja mais barata em nosso País”. 

Os flutuadores da primeira etapa foram produzidos em Camaçari, na Bahia, e os próximos serão fabricados no Amazonas. Um projeto semelhante, deve ser anunciado, em breve, na Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, por meio de uma parceria entre a Eletronorte e a Chesf. 

Você sabia que pode participar da elaboração do novo Plano Nacional de Recursos Hídricos? Está aberta, até o dia 1º de maio, a consulta pública destinada à segunda revisão do documento que será referente ao período de 2016 a 2020. Os membros dos colegiados de recursos hídricos e pessoas da sociedade em geral podem apresentar sugestões sobre as prioridades do Plano ou propor novos temas que mereçam atenção no próximo ciclo.

A consulta pública, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU), está disponível no portal Participa.br, com informações adicionais, um manual explicativo sobre a participação e dois questionários específicos, conforme explica o diretor de Recursos Hídricos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Sérgio Gonçalves:

“Um formulário é mais específico para gestores ou participantes dos sistemas de recursos hídricos, dos conselhos estaduais e do conselho nacional. São pessoas que já participam um pouco mais e tem um nível de conhecimento e entendimento melhor. Mas também tem um outro formulário para a sociedade, o cidadão comum, que embora nunca tenha participado de nenhum comitê, conselho ou debate maior sobre recursos hídricos, mas pode participar e dar as informações um pouco mais simples, menos técnicas, mas que são fundamentais para que se aproprie dessa temática”.

Os resultados serão consolidados em um documento final, a ser encaminhado para deliberação do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). 

“O que se busca com a consulta pública é escutar a sociedade para que ela possa realmente se posicionar e para que o Governo possa ter uma visão mais sistêmica de como a sociedade vê o plano, se utiliza, se apropria e pode colaborar nessa fase de revisão. Acabando essa consulta, vamos sistematizar todas essas informações, fazer um cruzamento delas, entender o que a sociedade está esperando das questões específicas para que o Plano Nacional (de Recursos Hídricos) possa ter prioridades mais próximas aos anseios da população. Em seguida, compilando e consolidando, isso retorna para um debate público para que a sociedade, todos os membros dos conselhos estaduais e do conselho nacional, tenham conhecimento de uma forma sistematizada do que foi colocado para que possamos organizar e definir as prioridades que serão colocadas de 2016 até 2020”. 

Para participar da consulta pública do Plano Nacional de Recursos Hídricos, basta acessar o site www.participa.br. Aprovado em 2006 e revisado pela primeira vez em 2011, o plano nacional visa orientar a implementação da política nacional e do gerenciamento dos recursos hídricos nas esferas estaduais e federal. 

Já estão em vigor, a partir desta terça-feira (1º de março), as novas regras da Resolução Normativa nº 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a revisão, o Brasil dá um importante passo na área da micro e minigeração distribuída, pois aprimora de forma significativa o processo de regulamentação e ainda estabelece o Sistema de compensação de Energia Elétrica. 

O sistema permite que o consumidor instale pequenos geradores, como painéis solares fotovoltaicos e microturbinas eólicas, em sua unidade consumidora, e troque energia com a distribuidora local. O processo pode ocorrer por meio de duas modalidades de geração distribuída, conforme explica Rodrigo Sauaia, diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR): 

“Uma das mudanças importantes é que, através dessa revisão, a Aneel estabeleceu duas novas modalidades de geração distribuída. Uma chamada de autoconsumo remoto, em que qualquer pessoa/empresa pode instalar um sistema de micro e minigeração de energia renovável (como um sistema fotovoltaico no seu telhado por exemplo), gerar energia, e consumir parte dessa energia em outra unidade consumidora. Imagine um caso de uma empresa, por exemplo, que possui um galpão com telhado disponível e possui um escritório num prédio. Essa empresa vai conseguir gerar no telhado de seu galpão energia para abastecer o galpão e para abastecer o seu escritório; injetar essa energia na rede; e compensar o consumo do escritório com a energia que foi gerada no galpão. O mesmo vale para uma pessoa que mora num apartamento e que vai utilizar o espaço de um outro telhado para poder gerar energia que vai abater no consumo do apartamento. Na geração compartilhada, temos uma situação muito interessante: um conjunto de consumidores se reúne; faz um investimento coletivo num sistema de geração renovável (como o sistema fotovoltaico); a energia gerada por esse sistema é rateada em cotas proporcionais ao investimento feito por cada uma dessas pessoas ou empresas, que recebem essas cotas de energia para abater os seus consumos de energia. Cria-se de fato um sistema de geração que permite que empresas e pessoas se reúnam para estabelecer esse sistema de geração e para compartilhar energia. Por que isso é importante? Porque com esse mecanismo se tem um ganho de eficiência e escala na instalação de sistemas, e você vai poder incentivar e acelerar o desenvolvimento da geração distribuída, dando mais competitividade para este mercado”. 

De acordo com Rodrigo Sauaia, as novas medidas colocam o Brasil numa posição importante no cenário internacional de mitigações dos gases causadores do efeito estufa. 

“Os avanços da micro e minigeração dessa nova proposta da Aneel colocam o Brasil numa posição de destaque no cenário internacional, uma vez que várias dessas mudanças incorporam as melhores práticas utilizadas em outros países, que já incentivaram de forma eficiente o uso de geração distribuída. Então o Brasil acaba de entrar para o rol dos países com algumas das melhores práticas internacionais para favorecer o crescimento da micro e minigeração. Acreditamos que isso vai contribuir – e muito – para que o Brasil cada vez mais tenha a população participando da geração distribuída”. 

As adesões ao modelo de geração distribuída têm crescido expressivamente desde as primeiras instalações, em 2012. Segundo dados da Aneel, entre 2014 e 2016, os registros quadruplicaram, e, com a revisão da norma a estimativa é que até 2024 mais 1,2 milhão de consumidores passem a produzir sua própria energia. 

Neste ano, o problema do Saneamento Básico está sendo amplamente discutido no Brasil em virtude de tematizar as ações da Campanha da Fraternidade Ecumênica, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic). 

Assim como no meio urbano, o morador do campo e das comunidades isoladas do País também sofre com a falta dos serviços básicos no setor. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 31 milhões de brasileiros que vivem na zona rural, apenas 22% tem acesso a serviços adequados de saneamento básico. 

Buscando a melhoria desta realidade, a Embrapa Instrumentação desenvolveu três tecnologias sociais destinadas à promoção do saneamento básico rural: a Fossa Séptica Biodigestora, o Clorador e o Jardim Filtrante. Carlos Renato Marmo, analista da Embrapa Instrumentação, explica como funciona cada tecnologia:

“A fossa séptica biodigestora nada mais é do que uma mini-estação de tratamento de esgoto, com a vantagem de que o esgoto tratado nessa mini-estação pode ser aplicado como biofertilizante no meio ambiente. É uma forma de reciclagem de água e reciclagem do esgoto, que tem características orgânicas, que após passar pelo processo de tratamento potencializa isso como fertilizante. O jardim filtrante é uma tecnologia complementar à fossa, mais recente, e vai tratar as águas menos poluentes do imóvel, da propriedade rural (pia de cozinha, chuveiro e torneiras). A fossa séptica trata apenas o resíduo (o esgoto do vaso sanitário). Então o jardim e a fossa se complementam para o tratamento de esgoto. Para desinfectar a água, nós criamos uma tecnologia simples, o clorador, que é um dispositivo hidráulico que fica entre o poço e a caixa d'água. Você aplica cloro e tem a garantia de que a água que será consumida na residência está desinfectada e livre de germes”. 

O analista também comenta sobre as principais dificuldades para a promoção do saneamento básico rural: 

“O saneamento rural tem algumas particularidades em relação ao saneamento urbano. No saneamento urbano, a pessoa tem um imóvel e mora num bairro, e o poder público faz as redes de água, as redes de coleta de esgoto, e é feito o tratamento do esgoto no final desse processo. Além disso, você tem a coleta de lixo, as redes de água pluvial (de drenagem). Na área rural são grandes propriedades, o que inviabiliza adotar um modelo urbano, talvez apenas em alguns casos em que as casas estão mais próximas, como vilas e agro-vilas”.  

No Portal da Embrapa é possível encontrar diversas informações sobre as três tecnologias sociais, além de publicações, notícias e projetos relacionadas ao tema. A página está disponível no endereço http://saneamento.cnpdia.embrapa.br/tecnologias.html.

Segue até esta sexta-feira (19), o prazo para as inscrições do Curso de Atualização em Energias do Biogás. A capacitação é promovida integralmente a distância pelo Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás), em parceria com a Fundação Parque Tecnológico Itaipu, por meio do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH).

O curso tem carga horária total de 110 horas e é essencial para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos no tema, visto que a carência de mão de obra qualificada continua sendo um dos principais problemas encontrados pelo setor das energias alternativas no Brasil.

Segundo Iara Bethania, designer instrucional do CIBiogás, mesmo com a crise econômica enfrentada pelo País, o mercado do setor deve continuar sua expansão ao longo dos próximos anos:

“Diferente de outros mercados que tem sofrido com a crise, o mercado de energias renováveis continua crescendo e demonstrando seu potencial. É fundamental que os profissionais invistam na atualização de seus currículos. O curso de Atualização em Energias do Biogás é uma oportunidade para que esses profissionais adquiram esses conhecimentos. Todas as aulas são disponibilizadas em um ambiente virtual de aprendizagem e isso possibilita que o aluno realize todas as atividades a distância”.

Outras informações sobre o Curso de Atualização em Energias do Biogás podem ser obtidas no site www.cibiogas.org.

Encerra nesta sexta-feira (19 de fevereiro) o prazo para as inscrições do curso “Gestão Territorial Aplicada a Água e Energia”, ofertado na modalidade de educação a distância pela Fundação Parque Tecnológico Itaipu, por meio do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) – considerado referência no tema - em parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás-ER). 

Com 40 horas de duração, os conteúdos programáticos estão distribuídos em cinco módulos: Introdução à Gestão Territorial; Recursos Hídricos (Ofertas e Demandas); Energia e o Território; Ordenamento Territorial; e Análises Nexo Água e Energia no Território. O gerente do CIH, Rafael Gonzalez, comenta sobre os objetivos da capacitação e cita o biogás como uma experiência importante neste contexto: 

“O objetivo é poder analisar como funciona a dinâmica da água e qual o impacto que ela exerce sobre a energia, não somente sob o aspecto da hidroenergia, mas principalmente do aspecto menor disso tudo, como por exemplo a água suja e a água limpa podem ser transformadas em energia. Todo este contexto do nexo passa por meio de uma avaliação no território. Um caso muito claro para nós é o biogás, que por um lado é uma água suja - que pode contaminar os rios pois os dejetos animais misturados com a água podem se transformar num grande passivo ambiental – mas por outro lado também pode se transformar numa grande fonte energética, o que pode então fazer essa correlação entre água e energia podendo obter o melhor resultado desta avaliação e do que se pode fazer com a água e transformá-la em energia”. 

Ao final do curso, os participantes receberão certificados de conclusão chancelados pelos dois centros. O investimento é de R$130 e outras informações podem ser obtidas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ou pelo telefone (45) 3576-7022.

Com a crise hídrica vivenciada pelo Brasil, a população teve que aprender a lidar com a escassez de água e a utilizar os recursos naturais com maior eficiência. No setor agropecuário, a situação é ainda mais alarmante, visto que, segundo dados da Agência Nacional de Água (ANA), aproximadamente 70% de toda a água disponível é utilizada para uma de suas atividades principais: a irrigação. 

Para discutir técnicas relacionadas ao tema, a Embrapa Pecuária Sudeste irá promover, nos dias 22 e 23 de março, o IV Simpósio em Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH). O evento - que será realizado em São Carlos (SP) – reunirá especialistas do Brasil, Nova Zelândia, Portugal e Argentina, que tratarão as principais questões produtivas, ambientais, sociais e econômicas relacionadas à produção animal e os recursos hídricos. 

Entre os temas que serão abordados, estão nutrição animal e manejo ambiental; coleta e análises de qualidade da água em produção animal; uso de dejetos como fertilizante; e o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, comenta que a crise hídrica trouxe um novo olhar ao homem do campo:

“Uma crise sempre tem seu lado bom, como para mudar alguns padrões culturais. Essa cultura de ver a água de uma forma diferente e usar a água com maior com maior eficiência acaba também se expandindo para áreas rurais, principalmente a irrigação, que é uma grande demandante de água no meio rural. Na questão de produção animal, você começa a pensar se realmente precisa de tanta água para lavar uma instalação dos animais ou se perguntar quanto de água os animais bebem de fato, “eu tenho essa água disponível na minha propriedade ou região hidrográfica para sustentar esse rebanho?”, “se eu quero fazer uma expansão do rebanho, tenho água para isso?”. Então uma crise acaba tendo esse benefício. O problema é que tomar decisão em situações de crise acaba sendo muito mais doído e com custo elevado. O ideal é que não esperemos as crises chegarem. Temos que ser pró-ativos para implantar manejos e usar tecnologias que promovam a maior eficiência hídrica dos nossos sistemas. Isso tem um benefício local, do produtor conservar o recurso natural em quantidade e qualidade, e tem um benefício social muito grande, de mostrarmos para a sociedade que produzimos proteína animal com eficiência hídrica”. 

Em relação a outros países da América Latina, Palhares comenta que o Brasil está evoluído na área da suinocultura, entretanto tem muito a aprender com os países vizinhos na área da bovinocultura: 

“A ideia de fazer esse painel internacional é dividir o que está sendo feito lá fora e fazer uma comparação com o que nós temos aqui no Brasil para fazer uma análise crítica para vermos o que precisamos evoluir, o que já fizemos, quais são as pedras no caminho que já se mostraram em outros países e que não precisamos tropeçar novamente. Fazendo uma comparação em termos de América Latina, podemos dizer que temos uma condição um pouco mais evoluída que os outros países do continente. Mas isso é muito dependente da categoria animal. Certamente no Brasil, a espécie que tem o maior histórico ambiental e consequentemente a maior evolução em coisas feitas é a suinocultura, porque já sofreu muita pressão social, principalmente na região Sul do País. Então isso fez com que essa cadeia de produção tivesse uma evolução ambiental nos últimos anos. Já para bovinos de leite, se compararmos com Uruguai, Chile e Argentina, eles tem uma condição um pouco melhor que nós. Eles já evoluíram em algumas práticas que não temos no Brasil. Então podemos aprender com essas experiências e termos um caminho mais suave no sentido de dar maior equilíbrio ambiental no caso dos bovinos de leite”. 

As inscrições para o IV Simpósio em Produção Animal e Recursos Hídricos (SPARH) podem ser feitas até 07 de março pelo site www.cppse.embrapa.br. 

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