Logo Web Radio Água

Você está aqui:Início/ÁGUA E CIÊNCIA/Vacy Alvaro

ÁGUA E CIÊNCIA

Vacy Alvaro

Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

WebSite:

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (10) pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade”, a ação tem como foco a questão do direito ao saneamento básico para todos, uma realidade ainda distante no Brasil, onde quase 100 milhões de pessoas estão excluídas, por exemplo, do serviço de coleta de esgotos. 

Neste ano, a campanha é realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), com a participação de representantes de diferentes religiões, e terá dimensão internacional, com a parceria de uma entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento de países na Ásia, África e América Latina.

De acordo com o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, a situação do saneamento no País é preocupante e provoca impactos que vão além da saúde pública e da preservação ambiental. 

“A situação do Saneamento Básico no Brasil é muito ruim. Nós não conseguimos atender metade da população brasileira com coleta de esgotos e menos de 40% dos esgotos do País recebem algum tipo de tratamento. Essa é uma consequência muito danosa, principalmente para o meio ambiente. Verificamos que os rios urbanos estão em uma condição dramática de poluição ao ponto de não podermos utilizar suas águas, mesmo num momento de falta de chuvas e crise hídrica. Esse impacto é mais evidente no meio ambiente e na saúde pública, mas vai muito além, impacta o turismo, a produtividade do trabalho (porque as pessoas têm que faltar ao trabalho por doenças transmitidas por água poluída), traz diarreia, hepatite A, verminoses, problemas de pele, leptospirose… Estamos muito defasados em comparação com outros países da América do Sul, como Chile e Argentina, e muito atrás de países desenvolvidos, que já resolveram este problema há décadas”. 

Ter o saneamento básico como foco da Campanha da Fraternidade também representa uma esperança de que as discussões sobre o tema ganhem maior amplitude no País:

“É uma forma de levarmos essa discussão para os lugares mais distantes do País. Ainda temos muita dificuldade de mobilizar o brasileiro para este tema, uma vez que passamos décadas sem investimentos e muita gente esqueceu que isso é um direito humano, e que sua casa deve receber uma água boa para beber, e que seus esgotos devem ser afastados e tratados para serem devolvidos à natureza. Então o Brasil tratou esse tema de forma muito superficial e ficava restrito às discussões dentro dos governos ou dentro do próprio setor de saneamento. Então foi muito bom saber que a Campanha da Fraternidade desse ano tratará do tema, uma vez que temos a certeza que esse debate se espalhará por todo o País”. 


Expectativa é o que o debate se espalhe pelo Brasil, segundo Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil.

Édison Carlos também lembrou da importância de governantes preocupados com o tema e da participação popular na causa: 

“É mais correto interpretar o investimento em saneamento realmente como um investimento, porque você vai colher os frutos desses recursos em médio e longo prazo, e não encarar as obras de saneamento básico como um custo, um problema, como muitas autoridades ainda insistem em ver essa infraestrutura. Ter que quebrar rua para passar tubulação. Esta é uma visão muito estreita e muito antiga. Na verdade, o bom governante olha o saneamento básico como uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida do seu eleitor e do cidadão, melhorando a cidade para sempre. Então buscamos esse tipo de governante, que olha a cidade 30 anos a frente e não apenas o tempo de seu mandato. Esse ano de eleições é fundamental que as pessoas conversem sobre isso, discutam com seus vizinhos e cobre soluções de seus candidatos a vereador e a prefeito, porque somente mostrando a essas autoridades que nós queremos que isso seja feito é que podemos acreditar que teremos no futuro um país com mais saneamento básico e, portanto, melhor qualidade de vida”. 

Durante a Campanha da Fraternidade 2016, serão distribuídos nas igrejas folhetos informativos sobre o saneamento básico. Além disso, as entidades orientam as igrejas a mobilizarem as comunidades para que se informem sobre a situação do saneamento em sua região, para que dessa maneira possam cobrar melhorias do poder público.


De acordo com um levantamento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), 36% dos imóveis rurais do estado já haviam sido inseridos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) até 31 de dezembro de 2015. O prazo para a inclusão dos imóveis, que já foi prorrogado uma vez, encerra no dia 5 de maio. 

O presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, alerta para as possíveis sanções que os proprietários podem sofrer caso não regularizem suas terras: 

“O agricultor tem sempre um pé atrás com a questão ambiental, devido ao código antigo, que era uma exigência muito forte. Depois veio o novo código florestal, que mudou uma série de exigências na área ambiental deu uma tranquilidade para o setor. Mas ele sempre fica meio desconfiado sobre o porquê de fazer o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Eu não estarei expondo a minha propriedade a uma linha de fiscalização? Não. O CAR está previsto no Novo Código Florestal. Então é obrigação de todos os produtores rurais do estado do Paraná, das 532 mil propriedades rurais, se cadastrarem. O porquê disso… aquele que não fizer o seu CAR ficará sujeito às sansões que estão previstas no novo código, desde a autuação aos processos criminais. Aquele que não fizer o CAR, perde uma série de regalias que o novo código florestal dá para ele. Ele tem condição de negociar os seus autos de infração que foram lavrados até 2008; de negociar onde irá fazer a reposição de sua reserva legal, que hoje pode fazer no estado todo; negociar os licenciamentos ambientais; ou seja, se ele não fizer, vai perder a linha de financiamento... As agências bancárias ou de crédito não vão liberar financiamento para esses produtores rurais, porque vai ser uma exigência a partir de 2017 a apresentação do CAR para poder obter essas linhas de financiamento”.

O presidente do IAP também recomenda que os proprietários não deixem a adesão para a última hora. Ele aponta os possíveis caminhos para a regularização:

“O Cadastro Ambiental Rural (CAR) se encerra em maio desse ano agora, no dia 5 de maio, previsto na Lei Florestal que era um ano prorrogado por mais um ano. Já estamos trabalhando na prorrogação e o problema nosso é que 36% das propriedades do nosso estado fizeram o cadastro. Ainda falta um número muito grande para se cadastrarem. Essa é a preocupação: as pessoas deixarem para a última hora e não conseguirem realizar o teu cadastro. Ele tem várias formas para se cadastrar: ele pode viabilizar através de um consultor ambiental; procurar a Emater (que tem várias pessoas treinadas e capacitadas); procurar o Instituto Ambiental do Paraná (nas suas regionais); procurar os sindicatos rurais (são mais de 2,5 mil capacitadas para levar essa informação e ajudar o produtor rural a se cadastrar)”. 

O Cadastro Ambiental Rural é um registro eletrônico que tem como objetivo ajudar na identificação e na integração das informações ambientais, contribuindo dessa maneira para a regularização ambiental das propriedades rurais no país. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), cerca de 65% da área passível de cadastro já consta na base do sistema. 

Um estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que contou com a parceria da Embrapa no Brasil, revelou um dado preocupante: 33% dos solos de todo o mundo está degradado em decorrência de diversos fatores. 

A constatação soa ainda mais alarmista se analisarmos que, segundo outro estudo da FAO, até 2050 a produção de alimentos deverá aumentar cerca de 60% para atender a demanda de toda a população global, que deve ultrapassar a casa dos 9 bilhões de habitantes daqui a 35 anos. 

A pesquisadora da Embrapa Solos, Maria de Lourdes Mendonça, que fez parte do conselho editorial do estudo, explica que a erosão é apontada como a principal causa dos problemas encontrados e responsável sozinha pela eliminação de 25 a 40 bilhões de toneladas de solo por ano.

“Na erosão, não se perde apenas solo. Junto com essa camada superficial de solo, se perde também, e principalmente, a matéria orgânica do solo, as comunidades biológicas, os micro-organismos… com isso, se perde também a capacidade de produzir alimento, a capacidade de fazer frente às mudanças climáticas, a biodiversidade do solo, então as perdas são inúmeras, junto com o solo”. 

Ela também ressalta a urgência na disseminação e aplicação de um manejo sustentável: 

“A maneira como nós estamos produzindo não é sustentável. Não se tinha essa linha de base, esse documento registrado sobre o estado do solo. Precisamos agir urgente, tanto a pesquisa, quanto a sociedade civil, quanto cada um de nós e, principalmente, os tomadores de decisão. É preciso conhecer o recurso solo, saber da sua importância e maneiras para reverter esse estado de degradação, como o manejo sustentável do solo. Manejo sustentável do solo é um conceito amplo, complexo, que requer conhecimento, tecnologia e políticas públicas. Trazendo para o Brasil, mas também mundialmente, por exemplo, o que se recomenda é manter esse solo coberto, resíduos da cultura no solo e carbono orgânico no solo principalmente”. 

Em relação ao Brasil, que apresenta situação dos solos semelhante a do restante do mundo, a pesquisadora destaca a necessidade de novos estudos relacionados ao tema no País. Ela também cita o Programa Nacional de Solos no Brasil (PRONASOLOS), que é liderado pela Embrapa e representa uma esperança nacional no setor: 

“O Brasil tem um problema seríssimo. Nós não conhecemos, em escala mais detalhada, o nosso solo. A pesquisa de solos no Brasil tem mais de 60 anos, mas em termos de mapeamento de solo falta informação mais detalhada. A Embrapa, esse ano, em vista desse relatório e do Ano Internacional dos Solos. Primeiro: nós não temos uma legislação específica para solos e água no Brasil. Segundo: o que existe de legislação está disperso nas diversas instituições, às vezes há repetições e  desperdícios… e terceiro: não existem informações dos solos detalhadas do Brasil sobre as quais se possam tomar decisões acertadas, de ordem municipal e decisões para apoiar as políticas públicas. Então, em vista disso a Embrapa está propondo um programa nacional de levantamento de solos, que depois irá para a conservação, pesquisa… o PRONASOLOS (Programa Nacional de Solos do Brasil), proposto pela Embrapa e mais de dez instituições parceiras, vai propor a retomada destes levantamentos no País em uma escala mais detalhada, para que possamos fazer o zonamento agroecológico e os tomadores de decisão possam usar as informações dos solos para criação de políticas públicas. Como eu vou poder fazer manejo sustentável do solo sem conhecer o solo? Então este é o primeiro passo: conhecer para melhor conservar e utilizar os solos”. 

O estudo organizado pela FAO também mostrou que os solos brasileiros sofrem com a salinização e a poluição. Atualmente, a Embrapa trabalha com pesquisa, desenvolvimento e inovação no tema solos, com contribuições importantes para o texto de uma Lei de Conservação do Solo e da Água no Brasil. 

Desde 2010, o Brasil não registrava um número tão alto de queimadas em seu território. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2015, 235 mil pontos de calor foram detectados no País, o que representa um aumento de 27,5% em relação a 2014 e o segundo maior registro desde 1999. 

O tempo seco, a falta de fiscalização e o aumento do desmatamento são apontados como os principais fatores responsáveis pelo alto índice. O Pará foi o estado que registrou o maior número de focos de incêndio (44.794), seguido por Mato Grosso (32.984) e Maranhão (30.066). 

Distrito Federal e Sergipe registraram os menores números, porém o maior percentual de redução em relação a 2014 foi detectado em São Paulo, onde o índice diminuiu 58%. Segundo o pesquisador do Inpe, Alberto Setzer, a expectativa é que neste ano o número de queimadas diminua: 

“Segundo previsões do tempo – a médio e longo prazo – 2016, em boa parte do Brasil deve ser um ano normal, com chuvas dentro da média. Portanto, com estiagens não tão intensas como as que tivemos em 2015. Ou seja, quando se tem mais chuvas, se tem menos ocorrência de focos (de queimadas). Além disso, quando se queima muito (foi o que aconteceu em 2015), no ano seguinte normalmente se tem menos queimadas porque a vegetação já queimou. Então é necessário esperar alguns anos até que a vegetação se recupere, para que se volte a ter grandes incêndios. Então, esperamos que em 2016 tenha menos queimadas. Porém, isso tudo tem que se confirmar ao longo do ano. A questão da previsão climática ainda é muito incerta e podemos ter alterações no que está previsto agora”.

Apesar do tempo seco ter contribuído para a propagação do fogo, o pesquisador atribui à população a maior responsabilidade pelo aumento das queimadas no País: 

“Com essas condições climáticas de falta de chuvas e altas temperaturas, tem condições muito mais adequadas e fáceis para o fogo se propagar. Então, o fogo, que na maioria dos casos, resulta de atividades humanas (por acaso ou propositadamente). Queimadas naturais são causadas apenas por raios. São raríssimas e não chegam a 1% de tudo o que os satélites detectam. Então, o grande problema está na atividade humana: acidental ou proposital. As condições climáticas podem ajudar ou precipitar um pouco o uso do fogo, mas a origem é sempre humana”. 

O monitoramento por satélite do Inpe consegue diagnosticar todos os focos de incêndio que tenham pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura. Segundo o Instituto, as queimadas destroem a fauna e a flora nativas, causam empobrecimento do solo e ainda reduzem a penetração de água no subsolo, além de gerar poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação. 

As denúncias de incêndios criminosos podem ser feitas ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras, às secretarias estaduais do Meio Ambiente e ao Ibama (o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).


Líder mundial em geração de energia limpa e renovável, e dona da maior produção mundial em 2015, superando a usina de Três Gargantas, na China, a Itaipu Binacional vai transformar parte do telhado do estacionamento do Centro Executivo – uma de suas sedes administrativas - em uma microgeradora de energia elétrica.

No local estão sendo fixados 78 painéis fotovoltaicos, com capacidade instalada de 20 kW e potencial para produzir 2.470 kWh por mês. Para se ter uma ideia, isto é o suficiente para abastecer cinco casas de pequeno porte ou suprir 8% de todo o consumo do Centro Executivo da binacional. 

Nos finais de semana ou feriados, quando a demanda por energia é menor no local, parte da produção dos painéis poderá ser absorvida pela Copel, distribuidora de energia no Paraná, gerando crédito para Itaipu na conta de luz. A economia prevista será de R$ 1.700 por mês, com previsão de retorno do valor investido em apenas oito anos. 

O projeto é piloto e, se for aprovado, poderá ser expandido para outros prédios abastecidos com energia da Copel, como o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) e os escritórios regionais, com base no Sistema de Compensação regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O engenheiro eletricista e gerente da Divisão de Infraestrutura da Itaipu, Alexandre Silva de Vargas, explica o funcionamento do sistema: 

“Durante os horários de maior demanda, estaremos consumindo toda a energia que os painéis estiverem gerando, complementando com a concessionária de energia. Nos períodos que tivermos baixa demanda de energia (o prédio estiver consumindo menos), podemos até injetar essa energia gerada no sistema de distribuição da Copel. Isso irá gerar créditos para abater na fatura. Mais ou menos dessa forma que funciona o sistema de compensação. Uma coisa que tem que ficar bem clara é que, independente do local onde instalarmos um sistema desses, podemos abater em qualquer fatura, que estiver no nome de Itaipu. Nós temos contas de energia em Santa Helena, Guaíra, e outros escritórios, que tem o mesmo CNPJ. Para a Copel, o que interessa é que estamos injetando energia no sistema e que isso vai gerar créditos para ser abatido em qualquer fatura”. 

No ano passado, um sistema similar foi instalado no campus do Fundão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá, operam 414 painéis fotovoltaicos, suficientes para gerar 140 mil KWh de energia elétrica por ano.

A Web Rádio Água e o Podcast Unesp - projeto desenvolvido pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) - mantém uma parceria para intercâmbio de conteúdos.

Nesta semana, Jussara Cabral Cruz, presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, fala sobre a expectativa em torno do curso de mestrado profissional em recursos hídricos, que será coordenado pela Unesp em parceria com a Agência Nacional das Águas. Ouça no player acima: 

Passado mais de um mês do desastre ambiental ocorrido após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), estudiosos divergem suas opiniões sobre a situação e possível recuperação do Rio Doce após o grande derramamento de lama resultante do rejeito da produção de minério de ferro.

De acordo com o professor de Engenharia Costeira da COPPE/UFRJ, Paulo Rosman, por exemplo, ao menos a situação da parte do rio mais próxima ao litoral é reversível num curto prazo de tempo. Otimista, ele explicou que as chuvas devem diminuir a concentração dos sedimentos aos poucos: 

“Quando chegou isso no Rio Doce, que é o encontro do Carmo com o Ipiranga, já foi uma lama que perdeu uma parte considerável dos sedimentos, mas ainda assim tinha um teor de sedimentos avassalador. A medida em que foi descendo o Rio Doce, encontrou o primeiro reservatório (Risoleta Neves), que é um lago, com a velocidade muito mais baixa do que no rio, consequentemente, favorecendo um amortecimento dessa onda e da deposição de sedimentos. Então houve uma retenção de sedimentos no primeiro reservatório. A água passou adiante (uma água extremamente barrenta), e fez o mesmo procedimento no segundo reservatório e no terceiro reservatório, já perto do Espírito Santo. Ao passar por estes três reservatórios, houve um amortecimento do pico da onda de cheia e um alongamento da sua duração. Entre o ponto do derrame e o mar tem cerca de 670 quilômetros, então esse percurso demorou quase 16 dias para chegar no mar. A recuperação do trecho inferior do Rio Doce, que é um trecho de mais ou menos 110 quilômetros, vai se recuperar relativamente rápido. É possível até que no fim dessa época das chuvas (que nós felizmente estamos tendo em dezembro e espero que isso continue por janeiro, fevereiro, março, abril). Isso vai acabar criando um fluxo de descarga e condições de restabelecimento para uma situação mais favorável para o Baixo Rio Doce. Há uma preocupação, porque os grandes depósitos de sedimentos que ficaram retidos na parte superior da bacia serão, em parte, carreados pelas chuvas. Então teremos ao longo de todo o tempo, enquanto não for feita a recomposição da vegetação marginal da bacia superior, teremos um Rio Doce mais barrento que o normal. Porém, na parte inferior, não teremos concentração de sedimento impeditiva para o restabelecimento da fauna. Vão voltar os peixes, os camarões, etc. Haverá um prejuízo, mas o rio vai voltar à vida. O rio sofreu um grande ataque. Um grande choque. Sem dúvida, o Rio Gualaxo da Norte pra voltar às condições ambientais razoáveis vai demorar muito. O rio do Carmo também. Mas eu não comungo dessa visão fatalista de que o Rio Doce, como um todo, tenha morrido, e que só daqui há 10 anos vai se recuperar”. 

Já a visão do biólogo André Ruschi, diretor da Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, no Espírito Santo, é menos positiva. Ele afirma que os estragos causados à fauna e flora da região devem demorar muito mais tempo para serem corrigidos e ainda dependerá de uma grande soma de esforços e medidas: 

“Como ele é um rio muito grande, ele representa a maior parte do fluxo dos nutrientes de uma grande parte da região Sudeste. Então, se foi eliminada a cadeia alimentar de toda a calha principal do rio, o elo mais forte dessa cadeia alimentar foi rompido e foi suprimido esse fluxo de nutrientes. Isso significa um colapso. Até retornar essa cadeia alimentar, é como se a região fosse um deserto ou próximo a isso, gerando um empobrecimento da região de entorno, porque enquanto o rio não tiver com a cadeia alimentar restabelecida, o nutriente em vez de parar nos ecossistemas, vai para o mar, então o continente vai ficando mais estéril e desértico. Se não dragar o rio e retirar a maior parte desta lama, desses rejeitos que estão aí depositados, olha, muito mais de 100, 200 anos (para se recuperar). Se retirar, precisa fazer várias coisas. Primeiro: tem uma ferrovia de um lado da margem. Enquanto ela ainda existir (na margem esquerda do Rio Doce), o Rio Doce vai ter dificuldade para se recuperar. Essa ferrovia provoca uma erosão permanente e interrompe o fluxo de fauna e de flora na área de preservação permanente, na calha do rio praticamente. No lado direito, tem uma rodovia que provoca mais impacto ainda. Então não existe a possibilidade do rio se recuperar enquanto esses impedimentos estiverem aí. Rejeito mineral na calha do rio e nas margens, e ferrovia/rodovia nas margens. Terceiro ponto: é preciso parar de jogar lixo, esgoto no rio, onde vai se captar água para se beber. Tem que reflorestar, mas não é fazer de conta que reflorestou. É reflorestar mesmo. Estamos falando das bacias hidrográficas adjacentes ao Rio Doce, aqui na costa do Espírito Santo, pela influência do estuário. Pode ser floresta econômica, desde que seja eucalipto ou floresta homogênea. Dezesseis bilhões de mudas de plantas, no mínimo, em dez anos dá para fazer isso. Criar uma série de fazendeiros florestais, produtores de mudas. É uma fonte de renda interessante para essa comunidade atingida em sua produção agrícola principalmente”. 

Para a recuperação do Rio Doce, o fotógrafo Sebastião Salgado sugeriu a criação de um fundo exclusivo para a causa. O vice-presidente do Instituto Terra acredita que é possível recuperar o rio, mas que não há como precisar quanto tempo isso pode levar. O governo anunciou irá estudar o projeto do fotógrafo.

A importância da conscientização quanto ao uso racional da água e a preservação do meio ambiente também pode ser reforçada em sala de aula. Partindo deste princípio, já a partir do primeiro semestre de 2016, cerca de 1.500 professores da rede municipal de ensino de São Paulo participarão da capacitação "Água em Curso – Multiplicadores". 

A ação foi oficializada após a formalização de um Termo de Cooperação Técnica de Educação Ambiental entre a Secretaria de Educação da Cidade de São Paulo e a Agência Nacional de Águas (ANA). O curso será ofertado pelo Projeto Água: Conhecimento para Gestão, resultado de um convênio entre a Fundação Parque Tecnológico Itaipu e a ANA, com apoio da Itaipu Binacional. 

Os conteúdos ofertados abrangem seis temáticas: hidrologia e hidrometria; qualidade da água; segurança de barragens; planejamento e gestão de recursos hídricos; educação e participação social; e geoprocessamento, sensoriamento remoto e gestão territorial de recursos hídricos. 

Segundo a gerente do projeto Água: Conhecimento para Gestão, Alexandra da Silva, o papel dos professores será fundamental no processo e a expectativa é que a ação amplie para outros estados:

“Os professores são disseminadores e os grandes motivadores do engajamento dos jovens. Se o professor não consegue levar esse conteúdo para a sala de aula (tanto de recursos hídricos, quanto de todos os recursos naturais disponíveis) e conscientizar os alunos da importância disso, vai ficando difícil manter estes recursos. Foi pensado num curso em que o professor consiga aplicar metodologias de ensino mais focadas à mobilização e conscientização dos jovens. Para isso, foi escolhida a cidade de São Paulo, devido à atual circunstância de falta de água que se encontra. Esse curso foi pensado especificamente para a cidade de São Paulo e vem com um diferencial: além de 40 horas do curso totalmente a distância, terá mais de 10 horas com encontro presencial. Isso foi articulado para facilitar a troca de experiências entre esses professores. A expectativa dessa parceria, tanto para o PTI quanto para a ANA, é de dar continuidade e levar os cursos (hoje desenvolvidos dentro desse convênio) a nível de Brasil. Essa parceria iniciou na cidade de São Paulo, mas já existe uma tratativa com o Distrito Federal, e para o ano de 2016, teremos aproximadamente mil vagas para o Água em Curso – Multiplicadores para a região Oeste do Paraná”. 

Desde 2011, quando foi criado, o Projeto Água: Conhecimento para Gestão já capacitou 18 mil pessoas em todos os estados brasileiros e países da América Latina, além da Espanha. Outra iniciativa do Projeto é o game educativo Água em Jogo, que visa conscientizar a respeito dos conflitos e dificuldades relacionados ao uso e à conservação das águas, formando novas lideranças entre os jovens. 

Uma trilha nada mais é do que uma estrada para pedestres (ou ciclistas), que necessita de sinalização para a segurança de seus “desbravadores”. Para se ter uma ideia da importância do instrumento, depois de 1999, quando foi implementada a sinalização no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, o número de pessoas perdidas em suas trilhas caiu de mais de 100 para menos de 5 por ano.

Com exemplos colhidos em unidades de conservação de quase 80 países, o especialista em Unidades de Conservação Urbanas e ex-diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, Pedro da Cunha e Menezes, criou – com o apoio da associação 'O Eco' e da WWF-Brasil - o Guia Prático de Sinalização de Trilhas. 

O documento cai como uma luva para o Brasil, um dos piores do mundo no tema. Dos 75 milhões de hectares registrados no Sistema Federal de Unidades de Conservação Brasileiro estão menos de 300 quilômetros de trilhas sinalizadas, conforme explica Pedro da Cunha e Menezes: 

“O Brasil está entre os cinco piores países do mundo no que se refere à sinalização e manejo de suas trilhas para a recreação do cidadão. Para se ter uma ideia, um pequeno parque na África do Sul, de apenas 20 mil hectares (o Parque Nacional da Montanha da Mesa) tem mais trilhas sinalizadas e remanejadas do que todo o sistema federal brasileiro juntos, com 75 milhões de hectares e 320 unidades de conservação. A situação do Brasil é caótica e muito atrasada. Faltava no Brasil um manual que mostrasse aos gestores de unidades de conservação, áreas protegidas, parques nacionais, etc, como fazer essa sinalização de maneira eficiente e barata. De modo que o manual de sinalização de trilhas editado pelo 'O Eco' junto com a WWF, é um tutorial para essas pessoas de como sinalizar as trilhas do Brasil sem grande gastos de recursos e no mesmo padrão de outros países no mundo”. 

O guia foi lançado durante o Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC) e pode ser baixado gratuitamente pelo endereço sinalizetrilhas.wikiparques.org.br

A Web Rádio Água e o Podcast Unesp - projeto desenvolvido pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) - mantém uma parceria para intercâmbio de conteúdos.

Nesta semana, o assunto é o Mestrado Profissional da Unesp em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, lançado em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) durante o XXI Simpósio da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH). Jefferson Nascimento de Oliveira, especialista em recursos hídricos da Unesp em Ilha Solteira, explica os desafios de implantar um curso em nível nacional. Ouça no player acima.

<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo > Fim >>
Página 5 de 38

Redes Sociais

  • Facebook: webradioagua
  • Linked In: webradioagua
  • Orkut: 15823632741848208134
  • Twitter: webradioagua
  • YouTube: webradioagua

Centro Internacional de Hidroinformática | Parque Tecnológico Itaipu
Av. Presidente Tancredo Neves, 6731 | CEP 85.867-900
Foz do Iguaçu | Paraná | Brasil
+55 45 3576-7038

 

2020 • Todos os Direitos Reservados