Logo Web Radio Água

Você está aqui:Início/ÁGUA E CIÊNCIA/Vacy Alvaro

ÁGUA E CIÊNCIA

Vacy Alvaro

Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

WebSite:

Um levantamento inédito realizado pela Nasa apontou dados preocupantes sobre a situação dos principais sistemas aquíferos da Terra. Para chegar aos dados, a companhia levou em consideração pequenas variações na força da gravidade do planeta medidas pelos satélites gêmeos da missão espacial Grace.

O estudo mediu a variação no volume de água entre 2003 e 2013, e constatou que 21 destes 37 aquíferos perderam mais água do que foram recarregados neste período. Em 13 deles, a diferença entre a retirada e a reposição de água foi classificada como de “grande estresse”, o que agrava ainda mais a situação.

No Brasil, a situação dos principais aquíferos ainda é confortável. Localizado inteiramente no País, o Aquífero Alter do Chão chegou a apresentar pequeno ganho de volume no período, enquanto que no Aquífero Guarani - compartilhado com Uruguai, Paraguai e Argentina - a redução de água foi considerada mínima. 

Apesar do resultado positivo, o hidrólogo brasileiro Augusto Getirana, pesquisador da Universidade de Maryland e do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, ressalta que as necessidades decorrentes da crise hídrica vivenciada pelo País podem representar um alerta a longo prazo:

“Concluiu-se que os impactos mais graves estão em regiões mais áridas, onde há pouca ou nenhuma água superficial disponível. Grande parte do Brasil tem alta disponibilidade de água superficial, ou seja, rios e lagos, então não se sente a necessidade de buscar águas subterrâneas para abastecimento doméstico, agrícola ou industrial. Se pensarmos a longo prazo, não sabemos o que irá acontecer como resultado das mudanças climáticas. Todos esperamos que a atual seca no sudeste brasileiro seja temporária, mas caso seja uma condição prolongada ou, ainda, permanente, aí sim teremos que pensar nos impactos negativos em aquíferos, uma vez que essa é outra fonte potencial de água para abastecimento da população”. 

Muitos desses depósitos de água começaram a ser utilizados nas últimas décadas para suprir diversas necessidade como irrigação e consumo. Com a retirada desregulada de água, algumas fontes estão começando a secar, colocando em risco a segurança hídrica global. 


Encerra no dia 10 de julho o prazo de inscrições para o curso “Gestão Territorial Aplicada à Água e Energia”. A iniciativa, que é realizada na modalidade de educação a distância, é promovida em parceria pelo Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás-ER) e o Centro Internacional de Hidroinformática (CIH). Ambos estão instalados no Parque Tecnológico Itaipu (PTI). 

O curso tem 40 horas de duração, com o conteúdo distribuído em cinco módulos: Introdução à Gestão Territorial; Recursos Hídricos (Ofertas e Demandas); Energia e o Território; Ordenamento Territorial; e Análises Nexo Água e Energia no Território. 

Rafael Gonzalez, gerente do Centro Internacional de Hidroinformática (CIH), explica os objetivos da capacitação e cita o biogás como uma experiência importante neste contexto: 

“O objetivo é poder analisar como funciona a dinâmica da água e qual o impacto que ela exerce sobre a energia, não somente sob o aspecto da hidroenergia, mas principalmente do aspecto menor disso tudo, por exemplo como a água suja e a água limpa podem ser transformadas em energia. Todo este contexto do Nexo passa por meio de uma avaliação no território. Um caso muito claro para nós é o biogás, que por um lado é uma água suja - que pode contaminar os rios já que os dejetos animais misturados com a água podem se transformar num grande passivo ambiental – mas por outro lado também pode se transformar numa grande fonte energética, o que pode então fazer essa correlação entre água e energia podendo obter o melhor resultado desta avaliação e do que se pode fazer com a água e transformá-la em energia”. 

Ao fim do curso, os participantes receberão certificados de conclusão chancelados pelo Centro Internacional de Energias Renováveis - Biogás (CIBiogás-ER) e pelo Centro Internacional de Hidroinformática (CIH). O início das atividades está marcado para o dia 13 de julho e outras informações podem ser obtidas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ou pelo telefone (45) 3576-7022.

Foz do Iguaçu sediou pelo terceiro ano consecutivo o Fórum Mundial de Meio Ambiente, promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais. O evento reuniu empresários, políticos, pesquisadores e ambientalistas do Brasil e do exterior. O tema principal foi “Mudanças climáticas e o impacto na vida das pessoas”.

Durante a abertura do evento, Roberto Klabin, presidente do LIDE Sustentabilidade e vice-presidente da SOS Mata Atlântica, destacou que a sociedade e as empresas estão mais conscientes de seus papéis na preservação ambiental, entretanto que é necessário que este pensamento seja transformado em ações efetivas. 

“O consumidor hoje ele é muito mais consciente do que no passado e as empresas sabem disso. O problema é que entre a consciência e a ação existe um espaço muito grande. Não adianta ser consciente mas não tomar nenhuma atitude. Então nosso papel aqui é buscar fazer que essa consciência se torne em ação. Hoje as empresas já devem obedecer a legislação toda que impede que as empresas atuem como atuavam há 40 anos, onde a questão ambiental não era importante. Então a poluição hídrica, a poluição do ar, produtos inadequados, tudo isso o consumidor aceitava daquela época porque não existia uma legislação adequada. Isso mudou com o tempo. Hoje a Legislação exige que as empresas sejam responsáveis. As empresas estão entrando em um outro patamar, que é onde elas apesar de estarem tentando cada vez mais cumprir a lei e obviamente responder aos anseios do consumidor, elas vão enfrentar a questão das mudanças climáticas como todos nós. Então a questão aqui neste Fórum é discutir o que faz das cidades, das pessoas e dos cidadãos mais organizados ambientes mais resilientes. Se eu tenho uma cidade que tem uma população mais ativa, mais presente, mais consciente, ela vai convergir para exigir dos políticos que governam essas cidades ações mais efetivas de tomada de solução para questões ambientais”. 



Roberto Klabin, presidente do LIDE Sustentabilidade e vice-presidente da SOS Mata Atlântica: "o
 problema é que entre a consciência e a ação existe um espaço muito grande". 

Durante a solenidade de abertura do evento, o governador do Paraná, Beto Richa, assumiu o compromisso de atingir a meta de desmatamento ilegal zero no estado com um conjunto de medidas para ampliar as ações de fiscalização, prevenção e de educação ambiental. Richa também destacou a importância dos debates e citou algumas ações executadas pelo Estado na área do meio ambiente: 

“É urgente mudarmos o nosso comportamento. Podemos cuidar melhor do ambiente em que vivemos até pela obrigação que temos com as próximas gerações. E agora recentemente no Governo anunciamos o lançamento, a criação de mais quatro programas importantes na área do meio ambiente: Parques do Paraná, onde queremos ampliar a visitação aos nossos parques e às 68 unidades estaduais de conservação, paralelamente à conscientização das pessoas de que é possível convivermos com o nosso meio ambiente em harmonia. Anunciamos também o pagamento por serviços ambientais prestados, a recuperação do nosso Rio Iguaçu, além da ampliação de território e mais cidades com o ICMS Ecológico”. 


Beto Richa, governador do Paraná: promessa de desmatamento ilegal zero no estado. 

Cinco painéis foram promovidos durante os dois dias de fórum, abordando temas como resiliência urbana, papel do poder público, compromisso da sociedade, atuação das empresas e turismo sustentável. 

A Web Rádio Água e o Podcast Unesp - projeto desenvolvido pela Assessoria de Comunicação e Imprensa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) - mantém uma parceria para intercâmbio de conteúdos.

Nesta semana, o historiador ambiental e professor da UNESP em Assis (SP), Paulo Martinez, explica que é preciso rever a relação predatória da cidade de São Paulo com a Água.

download

No PodIrrigar desta semana, Edmar José Scaloppi, especialista em hidráulica, irrigação e drenagem da Unesp em Botucatu (SP), comenta alguns pontos abordados em seu artigo intitulado: “A necessidade de atualizar conceitos na agricultura irrigada”.

download

Pela terceira vez consecutiva, Foz do Iguaçu sediará o Fórum Mundial de Meio Ambiente, promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais. O evento será realizado nos dias 25 e 26 de junho e contará com a participação de empresários, políticos, pesquisadores e ambientalistas do Brasil e do exterior.

Os principais objetivos do fórum são fortalecer o conceito de sustentabilidade para a preservação socioambiental e promover a troca de experiências no tema. Nesta edição, o tema principal será “Mudanças climáticas e o impacto na vida das pessoas”, conforme explica Roberto Vámos, curador do conteúdo do fórum:

“O principal tema desta edição será as cidades. Especialmente como as mudanças climáticas afetam a cidade. Os sub-temas que nós vamos discutir dentro do fórum são, por exemplo, quais os impactos que as cidades já estão sentindo, qual o papel do governo e das empresas na adaptação a esses impactos e na melhoria das cidades, de que modo o cidadão pode influenciar no bem-estar de sua cidade, e por fim como é que serão as cidades do amanhã, o que precisamos fazer hoje para preparar as nossas cidades para que elas sejam um foco de bem-estar amanhã”. 

Roberto Vámos também ressaltou a importância do envolvimento do meio empresarial com as causas ambientais:

“O propósito do fórum é de ser um lugar de intercâmbio de ideias e a presença do empresariado é muito importante nisso porque a maior parte do investimento que hoje é gasto, por exemplo, em novas energias, na descarbonização da nossa economia – não só brasileira como mundial – vem do setor privado e não do setor público. Então os empresários precisam estar a par dos novos acontecimentos e da urgente necessidade de investimentos em tecnologias limpas e em melhorias nas nossas cidades. Isso não é só um ônus, é também um bônus, uma enorme oportunidade de novos investimento em tecnologias, inovação e bem-estar que surge não só no Brasil, mas ao redor do mundo”. 

A palestra principal do fórum, “As cidades e as mudanças climáticas”, será ministrada pelo ex-presidente boliviano Jorge Quiroga. Estão previstas as presenças de autoridades como o ministro das cidades, Gilberto Kassab; da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; e do governador do Paraná, Beto Richa. 

Além de painéis sobre temas ambientais, o evento entregará o Prêmio LIDE do Meio Ambiente 2015. Como em todas as outras edições, no final do evento será assinada a Carta de Foz com os principais compromissos firmados entre as lideranças presentes. 

Segundo o Balanço Energético Nacional de 2014, a contribuição da energia hidráulica na matriz energética brasileira é de aproximadamente 71%. Além de ser limpa e renovável, a fonte se destaca pelo baixo custo, o alto rendimento e o aproveitamento da grande disponibilidade de recursos hídricos no Brasil. 

Em entrevista à Web Rádio Água, o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, destacou a expansão das usinas hidrelétricas aproveitando um enorme potencial existente no País, sobretudo na região Norte. O diretor ainda citou o conceito de usinas-plataforma como uma boa alternativa de baixo impacto ambiental para as regiões mais remotas do País: 

“O Brasil ainda tem 60% do seu potencial hidráulico no Norte. É lá que está o Rio Amazonas, o Rio Negro, o Rio Tocantins, o Rio Xingu... e está se trabalhando na expectativa de como usar isso e fazer o menor estrago possível à natureza. Então veio o conceito das usinas-plataforma. Encontra uma região que não tem habitação, não tem cidade, mas tem um potencial hidráulico enorme, e lá constrói a usina e depois recompõe toda a mata e toda a operação dessa usina é feita de forma remota, distante da usina. Só tem operários para fazer a sua manutenção, que vão de helicóptero, igual a uma plataforma de petróleo, e com isso não se faz desmatamento, não abre novas trincheiras para a abertura para a abertura de novas cidades, e com isso se preserva aquilo que o Brasil quer preservar do ponto de vista da sua biodiversidade, mas ao mesmo tempo extrai esse potencial extraordinário de usina limpa e renovável que a hidráulica fornece. Ficaram prontas uma série de usinas (hidrelétricas), a maior parte delas na região Norte do Brasil, onde está o grande potencial hidráulico do Brasil. Com esses investimento todos atingimos 40% da nossa capacidade hidráulica. Então ainda temos 60% a explorar.  E para isso, tem uma tecnologia - que o Brasil é campeão nisso – que são as grandes linhas de transmissão (tanto em corrente contínua como corrente alternada). Isso tudo entrando funcionando e voltando a chover dentro da normalidade, obviamente que os preços da energia elétrica voltarão aos preços de 2013, que é uma boa notícia ao consumidor”. 

Como reflexo dessa expansão do setor está a diminuição progressiva do percentual de participação de Itaipu na energia elétrica consumida no País. O dado é importante para a segurança energética nacional, segundo Samek. O diretor também explicou os motivos que levaram a binacional a investir também em pesquisas relacionadas a outras fontes renováveis de energia: 

“A Itaipu fechou o ano passado com quase 17% do suprimento de toda energia elétrica consumida no Brasil. A cada ano que passa agora, a nossa participação vai diminuindo. Com a entrada das usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), em breve a operação da usina de Belo Monte, Angra 3 (também para o próximo ano), uma centena de termoelétricas que foram instaladas no Brasil e três centenas de hidráulicas (de tamanho de PCH – pequena central hidrelétrica, médias e até algumas grandes) que estão em construção no Brasil nós vamos ampliando a capacidade total de abastecimento de energia. Quanto mais cresce o nosso potencial instalado, a participação de Itaipu vai diminuindo. Mas nós devemos fechar esse ano ainda com uma participação próxima de 16% de toda a energia consumida no Brasil e mais de 75% de toda energia consumida no Paraguai. Essa é uma ótima notícia: a segurança energética. Quanto menos depende de uma só usina é muito melhor. Quando você tem diversas fontes te fornecendo, de diversas regiões, você tem muito mais capacidade de enfrentar um problema sem dar nenhum prejuízo para os consumidores de energia, quer seja da indústria, do comércio ou mesmo residencial. Para poder construir a hidrelétrica de Itaipu, o nosso país – junto com o nosso sócio Paraguai – teve que trazer para Foz do Iguaçu os maiores especialistas em produção de energia, em barramento, em fazer a transmissão dessa energia, e isso obviamente exigiu um esforço enorme de cientistas renomados e com experiência que vieram morar em Foz do Iguaçu. E daí foi um passo para começarmos a fazer pesquisa em mobilidade, em veículos elétricos, em aproveitamento de metano, por exemplo, essa grande quantidade de dejetos que estava contaminando o lençol freático. Isso já não é mais problema. O problema virou uma solução. A solução é que isso vira energia e vira adubo. E Itaipu, obviamente, detém o conhecimento necessário para fazer essa transformação. Então foi um passo natural de nós passarmos a trabalhar na questão solar, na questão eólica e todas as fontes de energia para que pudéssemos ir aplicando esses conhecimentos”.


Percentual de participação de Itaipu no fornecimento de energia elétrica no País está diminuindo com expansão do setor. Foto: Itaipu Binacional

A Matriz Energética Brasileira é considerada um exemplo para o mundo por apresentar uma grande participação de fontes limpas e renováveis. Para manter este panorama, Samek destaca o avanço na instalação de usinas eólicas e no desenvolvimento de pesquisas na área da energia solar:  

“A grande fonte de abastecimento de energia elétrica na Europa é carvão, assim como na Rússia e na China. Os próprios Estados Unidos são muito dependentes de carvão e de gás. Isso tudo polui. As pesquisas apontam muito para trabalhar em eólica e solar. O que tem de problema na eólica e na solar? São energias absolutamente limpas, mas intermitentes. Por exemplo, à noite não produz solar. Como é que eu faço para abastecer um hospital, um supermercado, um frigorífico, um metrô. Não posso ter energia hora sim, hora não. Energia tem que ser 24 horas por dia.  Então tem que ser a somatória dessas energias para dar uma possibilidade de poder ter uma segurança energética. O Brasil vai fechar o fim do ano que vem (dezembro de 2016) com quase 9% de todo o potencial instalado proveniente de fontes eólicas. E junto com isso, pesquisa na solar. Nós estamos trabalhando, inclusive aqui em Itaipu, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) trabalha muito no processo de armazenar energia solar. Nós vamos ter que aproveitar esse sol do dia e armazenar. Armazenar quer dizer baterias. Nós estamos desenvolvendo isso em carros elétricos, queremos levar energia para essas regiões que estão muito distantes. Para você levar rede de energia, ás vezes são milhares de quilômetros para atender 200 famílias, e por isso se torna economicamente quase inviável. A solução disso é exatamente a eólica e a solar. Poder armazenar isso e com isso abastecer essas comunidades mais distantes. Portanto acho que a solar e a eólica vão ganhar muito espaço nas próximas décadas”.

De acordo com um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), até 2050 o Brasil deve chegar próximo à casa dos 230 milhões de habitantes, com o acréscimo de quase 40 milhões de domicílios. Para manter a matriz energética limpa, mesmo com o aumento da demanda, o País deve investir na diversificação de fontes renováveis. 

Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou uma nova linha de apoio para restauração ecológica de vegetação nativa dos biomas do País com recursos não reembolsáveis. 

O BNDES Restauração Ecológica tem um orçamento calculado em R$20 milhões em sua primeira fase. O foco prioritário será a Mata Atlântica devido a três aspectos principais: a proximidade com a população urbana, a menor vegetação nativa remanescente e o papel fundamental que exerce na manutenção do abastecimento de água na região Sudeste. 

Márcio Macedo Costa, gerente da área de Meio Ambiente do BNDES, explica os objetivos do programa: 

“O objetivo é a restauração em algumas categorias, como unidades de conservação da natureza de posse de domínio público, reservas particulares do patrimônio natural (que forem criadas voluntariamente), áreas de reserva legal em assentamentos de reforma agrária ou em territórios quilombolas, áreas em territórios indígenas e áreas de preservação permanentemente. O projeto de restauração deve ter entre 200 e 400 hectares, sem necessidade das áreas abrangidas no projeto serem contíguas. O prazo máximo para o projeto é de 4 anos”. 

A atuação do Programa BNDES Restauração Ecológica representa uma continuidade nas ações de restauração já executadas pelo banco na Mata Atlântica, onde cerca de três mil hectares de áreas degradadas já foram recuperadas. 

“O grande objetivo do BNDES Restauração Ecológica é o apoio à restauração de biomas brasileiros, restauração de áreas degradadas. O BNDES já apoia há algum tempo, com recursos não reembolsáveis (aqueles que não precisam retornar ao banco) a restauração no Brasil principalmente na Mata Atlântica. Nós tínhamos uma iniciativa BNDES Mata Atlântica que apoiou 15 projetos de restauração no bioma Mata Atlântica e foi uma experiência de grande sucesso, que permitiu a restauração de três mil hectares e por volta de R$30 milhões já foram desembolsados”.

O prazo para inscrições de projetos no Programa BNDES Restauração Ecológica encerra no dia 3 de julho. As regras para se candidatar ao financiamento estão disponíveis no endereço www.bndes.gov.br.

No dia 29 de maio comemorou-se o Dia Mundial da Energia, data que tem como objetivo reforçar a importância do uso racional da eletricidade e, consequentemente, a redução dos impactos ambientais e a preservação dos recursos naturais. Pensando nisso, a Web Rádio Água produziu uma série de conteúdos relacionados à importância das fontes renováveis na matriz energética brasileira.

A energia solar fotovoltaica ainda é um setor emergente no Brasil, mas avançou a passos largos nos últimos anos. Na área da micro e minigeração, por exemplo, o número de sistemas deve triplicar até o final deste ano, ultrapassando a casa das mil instalações. 

O que contribuiu bastante para esta expansão foi a aprovação da normativa nº 482/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que criou o sistema de compensação de energia elétrica. Outra conquista importante foi a permissão que os estados isentem o ICMS para consumidores que produzem energia e enviam à rede elétrica de abastecimento, autorizada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). 

A próxima etapa está na adesão e envolvimento dos estados neste incentivo, conforme destaca o diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Dr. Rodrigo Lopes Sauaia

"É preciso que os estados participem desse convênio ICMS. Além disso, que definam leis ou decretos internos estaduais concedendo essa isenção de ICMS para micro e minigeração. Os estados que incentivarem a micro e minigeração na sua região terão como benefício um ganho de atratividade para poder trazer empregos de qualidade para a sua região, ajudar a movimentar a economia, trazer empresas e também gerar mais energia dentro de seus territórios, o que é positivo para a segurança energética”. 

Quanto à geração centralizada – proveniente de grandes usinas - o País também vem evoluindo bem. Em 2014 foi realizado o primeiro leilão nacional de energia solar fotovoltaica, um marco histórico para o setor e que contou com a comercialização de 1048 MW, representando investimentos da ordem de R$ 7 bilhões ao longo dos próximos 20 anos. 

O setor também caminha para a estruturação de uma cadeia produtiva para a fabricação de equipamentos e componentes no Brasil. O plano de nacionalização progressiva foi estruturado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

“Esse é um passo muito importante porque o financiamento para os leilões e projetos de geração centralizada normalmente dependem bastante do envolvimento do BNDES. Então é uma forma importante de se promover a estruturação da cadeia produtiva com esses requisitos de nacionalização progressiva. Felizmente já vemos que uma série de fabricantes está avaliando intensamente onde estruturar as suas fábricas e planejando a sua vinda para o País. Isso acontece tanto para fabricação de módulos fotovoltaicos, quanto para a fabricação de inversores fotovoltaicos (são os dois componentes principais). Inclusive já existem inversores fotovoltaicos nacionalizados para geração centralizada (os de grande porte). Entendemos que é um sinal importante por parte dos fabricantes de que há interesse se as condições estiverem adequadas. Então precisamos atingir esses mesmos requisitos para que os fabricantes de módulos fotovoltaicos consigam se estabelecer no País, porque a maioria dos equipamentos ainda é importada”.

O Brasil tem um potencial enorme na área da energia solar, com destaque para projetos executados nos estados de Pernambuco, Minas Gerais e Bahia, além da fundamental contribuição de São Paulo na conquista da isenção do ICMS na micro e minigeração: 

“Historicamente, Pernambuco tem feito um excelente trabalho de incetivo ao uso da energia solar e foi o primeiro estado a promover um leilão estadual para energia solar. O estado de Minas Gerais tem se envolvido bastante com o setor. Foi o primeiro estado inclusive que reduziu a tributação de ICMS para micro e minigeração, também reduziu tributos que incidem sobre equipamentos e insumos do setor e esse é um exemplo que precisa ser seguido por outros estados que quiserem atrair a cadeia produtiva para as suas regiões. A Bahia, que tem um enorme potencial de geração centralizada pela boa irradiação do estado, também está buscando atrair investimentos para a sua região, facilitando e agilizando os procedimentos de licenciamento ambiental. O estado de São Paulo teve um papel fundamental nas discussões com o CONFAZ e na proposta da isenção de ICMS e esperamos que o estado de São Paulo dê um exemplo nessa questão, fazendo uma isenção bem ampla para a micro e minigeração. Na prática, o Brasil é um país com muito recurso solar. Temos a sorte de ter um País bastante ensolarado e que pode aproveitar esse recurso também para gerar energia elétrica. Portanto qualquer estado do Brasil que queira incentivar o uso da energia solar na sua região pode encontrar boas soluções e sugestões para realizar isso”. 

Em meio à crise hídrica vivenciada pelo Brasil, o diretor executivo também lembra da importância da energia solar como fonte complementar para o sistema elétrico brasileiro: 

“A energia solar pode contribuir em duas vertentes: econômica – gerando energia de forma mais econômica para o País – e ambiental – ajudando a reduzir os impactos da nossa matriz elétrica. E como benefícios adicionais, diversificando a matriz elétrica brasileira, aumentando a segurança e reduzindo os riscos de falta de energia elétrica para o País, e trazendo geração de empregos de qualidade para a nossa matriz e para o nosso País”. 

Um estudo realizado pela IHS Consultoria aponta um crescimento de 30% da energia solar fotovoltaica no mundo em 2015. De acordo com o relatório, China e Japão seguem liderando o mercado global do setor. 

No dia 29 de maio comemora-se o Dia Mundial da Energia, data que tem como objetivo reforçar a importância do uso racional da eletricidade e, consequentemente, a redução dos impactos ambientais e a preservação dos recursos naturais. Pensando nisso, a Web Rádio Água produziu uma série com conteúdos relacionados à importância das fontes renováveis na matriz energética brasileira. 

O Brasil é considerado exemplo na área das energias renováveis e por ter uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta. Para manter este status mesmo com o iminente crescimento da população, o País deve aumentar ainda mais os investimentos no setor. 

Para ser uma ideia, até 2050 o Brasil deve chegar próximo à casa dos 230 milhões de habitantes, com o acréscimo de mais 39 milhões de domicílios e 90% da população vivendo em centros urbanos. A frota de veículos leves deve triplicar e a produção agrícola aumentar em 60% com a elevação da produtividade. 

Estas são algumas das estimativas apontadas pelo documento 'Cenário Socioeconômico e Demanda de Energia', elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). De acordo com o presidente da instituição, Mauricio Tolmasquim, em relação ao futuro a expectativa é otimista visto que o Brasil oferece recursos naturais importantes para a diversificação de suas fontes energéticas: 

“O Brasil, no que diz respeito à questão de energia elétrica, é um exemplo para o mundo. O Brasil tem uma das matrizes mais renováveis do mundo e o setor elétrico o nível de emissão de gases do efeito estufa é muito baixo. Se olharmos o índice per capita, o nível de emissões é mais baixo ainda. Então o Brasil tem tudo a comemorar no sentido que é um país que está dando exemplo para o mundo. Água, vento e sol, por exemplo, são três recursos muito vastos no Brasil. Em termos de água, o Brasil tem o terceiro maior potencial hidrelétrico do mundo, depois da China e na Rússia, e nós só utilizamos um terço deste potencial. Em termos de ventos, o Brasil tem um potencial estimado em 360 mil MW (36 GW) de capacidade instalada, com ventos de muito boa qualidade, e a solar também, o nível de insolação é muito grande. Então tem tudo para o Brasil continuar com a matriz bastante bastante renovável”. 

Tolmasquim também ressaltou que as fontes nacionais podem se complementar aproveitando as potencialidades regionais e contribuindo para suprir as necessidades energéticas da população:

”O vento sopra mais forte no Nordeste justamente nos períodos em que se tem menos água no Sudeste e Centro-Oeste, de maio a novembro. E também existe uma complementação boa entre a água e a biomassa, que também tem uma perspectiva boa de crescimento futuro. No que diz respeito à cana-de-açúcar, a safra vai de maio a novembro, que é o período de seca no Sudeste e Centro-Oeste. Apesar de em termos absolutos a hidrelétrica ser a fonte que deve contribuir mais nos próximos anos, em termos relativos a sua participação na matriz deve ser reduzida, tanto com crescimento da eólica e solar, mas também com a participação de algumas térmicas que permitirão nos momentos que em que a hidrologia esteja ruim ou problemas de vento, poder ter uma garantia de segurança de abastecimento”.

De acordo com um prognóstico da Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda de energia elétrica no Brasil deve aumentar em 78% até o ano de 2035. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente de 2013, o Brasil produz 78,4% de sua energia elétrica por meio de fontes renováveis, mais de três vezes acima da média internacional. 

Utilizar as águas de açudes para irrigar as plantações sem gastar energia elétrica ou combustível. Este é o desejo de todo produtor rural e em Santa Catarina vem sendo possível com a adoção de “carneiros hidráulicos”. Essas bombas utilizam apenas a força da gravidade para transportar grandes quantidades de água. 

O nome da inovação tem origem na Idade Média, quando soldados utilizavam grandes toras de madeira para derrubar portões e muros de castelos inimigos. Essas armas eram conhecidas como aríetes, que significa 'carneiros' em latim, uma alusão às pontas esculpidas no formato que lembra o da cabeça do animal. Desta invenção resultou o "golpe de aríete", que se caracteriza pelo barulho ritmado feito pelas tubulações quando a saída de água delas é interrompida. 

O desnível para o funcionamento do sistema deve ser entre um e seis metros, podendo recalcar até 60 metros de altura numa distância máxima de 600 metros. Élcio Pedrão, extensionista rural e social da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), explica o funcionamento do sistema:

“Essa bomba usa somente energia da água, com a gravidade, então precisa basicamente ter três coisas: volume de água, peso e velocidade (que se dá pela distância da captação até o 'carneiro'). A água percorre por um cano, sempre em descendente, e quando ela sofre uma interrupção surge essa força interna dentro dos canos (uma pressão muito grande dentro dos canos), que repercute numa pressão suficiente para levar a água para cima. Se tiver dois metros de desnível da captação até o carneiro, tem a possibilidade de jogar até 20 metros de altura numa distância de 200 metros”.


Detalhe do carneiro hidráulico artesanal desenvolvido pela Epagri.

Ao longo do tempo, o carneiro hidráulico passou por algumas adaptações. O modelo artesanal desenvolvido pela Epagri, além do baixo custo, traz diversas vantagens aos produtores rurais e ajuda na preservação do meio ambiente: 

"O carneiro industrial é muito bom. O único detalhe dele que é ruim é que ele é todo de metal, então a água não fica de uma boa qualidade quando for usado para consumo humano. Esse que é a gente monta é de PVC, então não enferruja. Outra diferença é o peso. O outro (industrial) tem uma média de 30 a 35 quilos, e esse aqui tem entre 1,3 kg e 1,4 kg. É de fácil manuseio e muito fácil de lidar. A forma de aproveitar uma água na propriedade sem gastar energia e combustível é utilizando esse 'carneiro'. Não agride o meio ambiente, não contamina, não polui, é barato, leve, de fácil manuseio e a manutenção é muito pequena. Então é uma forma sustentável de se captar água. Muito prática. No início pode parecer um pouco complicado para montar e fazer a regulagem, mas depois fica muito simples”. 

Mais informações sobre as peças utilizadas e a montagem do carneiro hidráulico artesanal podem ser obtidas diretamente com o extensionista rural e social Élcio Pedrão, através do e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. .

<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo > Fim >>
Página 9 de 38

Redes Sociais

  • Facebook: webradioagua
  • Linked In: webradioagua
  • Orkut: 15823632741848208134
  • Twitter: webradioagua
  • YouTube: webradioagua

Centro Internacional de Hidroinformática | Parque Tecnológico Itaipu
Av. Presidente Tancredo Neves, 6731 | CEP 85.867-900
Foz do Iguaçu | Paraná | Brasil
+55 45 3576-7038

 

2020 • Todos os Direitos Reservados