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Qua, 09 de Fevereiro de 2011 08:12

Desastres fazem Austrália repensar emissões de CO2

Escrito por  Luis Thiago Lucio

A frequência com que o país vem sendo atormentado por enchentes, secas e ciclones está trazendo de volta os debates sobre medidas polêmicas que haviam sido arquivadas, como a criação de um cap-and-trade e de taxas de carbono


A Austrália é o maior exportador mundial de carvão e possui uma das maiores emissões de gases do efeito estufa per capita do planeta, fatores que explicam porque o país é sempre um dos mais relutantes em adotar qualquer tipo de política climática e costuma ser um obstáculo nas conferências do clima das Nações Unidas.


Foi preciso que eventos climáticos extremos afetassem a vida de milhões de australianos para que as autoridades despertassem para a necessidade de mudanças nos hábitos de consumo e de produção industrial.

O ano começou com a Austrália sendo varrida pela maior enchente da história, que causou bilhões em prejuízos. Antes disso, uma severa seca em 2010 resultou na queda expressiva da produção de cereais, o que elevou os preços dos alimentos em todo o mundo. Mais recentemente, na semana passada, um ciclone atormentou a costa do país.

Para avaliar o que está acontecendo com o clima na Austrália e quais são as perspectivas para o futuro, o conselheiro de mudanças climáticas do governo, Ross Garnaut, está preparando uma série de oito relatórios que devem ficar prontos até maio. O primeiro deles foi divulgado na semana passada e alerta que os fenômenos climáticos extremos ficarão mais intensos e frequentes.

“O que estamos vendo já são as consequências iniciais do aquecimento global. Se pensarmos que ainda estamos no começo desse processo, o futuro não parece nada promissor”, afirmou Garnaut.

Diante desse prognóstico, a Austrália está revendo questões que haviam sido dadas como arquivadas, como a criação de um mercado cap-and-trade e uma taxa para o carbono.

Segundo Garnaut, nos últimos anos os políticos estavam muito alinhados com as indústrias, mas agora devem contar com uma maior pressão popular para realizar as transformações que o país precisa.

“As tentativas de aprovação de leis climáticas no passado nos ensinaram que mexer com interesses econômicos sempre é difícil. Porém é hora dos políticos permanecerem independentes e evitarem ser seduzidos por lobbies”, explicou Garnaut.

O plano original para o mercado de carbono da Austrália chegou a propor o preço simbólico de AU$ 1 por tonelada de CO2 em sua fase inicial, mesmo assim não conseguiu ser aprovado e acabou engavetado.

Outra iniciativa que pode retornar é a de uma taxa interna de carbono, pela qual as indústrias pagariam um valor conforme a intensidade de carbono utilizada para produzir suas mercadorias.

Essas medidas já estão sendo analisadas e discutidas por autoridades, mas o mais provável é que elas só comecem a ganhar forma depois de maio, quando Garnaut deve finalizar seu último relatório para o governo.

Os estudos serão então analisados por um comitê multipartidário que decidirá qual o melhor caminho a ser adotado.

“Esperamos que os relatórios sejam o inicio de um importante diálogo com os 22 milhões de australianos para mostrar que existem benefícios econômicos e morais em se colocar um preço no carbono”, afirmou o parlamentar independente Rob Oakeshott.

Os ganhos econômicos com uma economia de baixas emissões são outra preocupação de Garnaut, que considera que a Austrália está ficando para trás na corrida pelas tecnologias limpas.

“Não temos mais o luxo de poder falar que vamos liderar o mundo rumo à sustentabilidade. Para ser bem sincero, agora temos é que alcançar as outras nações”, concluiu Garnaut.

 

Fonte: Carbono Brasil

Última modificação feita em Qua, 09 de Fevereiro de 2011 08:24
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Luis Thiago Lucio

Luis Thiago Lucio

Consultor de projetos ambientais na Agência de Desenvolvimento Regional do Extremo Oeste do Paraná, Instrutor de cursos voltados ao geoprocessamento aplicado, Tutor do curso de Atualização em Energias do Biogás | EaD, graduado em Engenharia ambiental, Especialista em Agrimensura e Geoprocessamento, cursando Especialização em Gestão Ambiental em Municípios pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Medianeira.

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