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Qua, 09 de Fevereiro de 2011 09:12

Energia limpa pode atender 95% da demanda em 2050

Escrito por  Luis Thiago Lucio

Energia limpa pode atender 95% da demanda em 2050

 

Estudo desenvolvido por WWF, Ecofys e OMA defende que em 40 anos quase toda a eletricidade consumida no planeta poderá ser produzida a partir de recursos renováveis e aponta ações necessárias para reduzir uso de combustíveis fósseis


Uma pesquisa realizada pela organização ambientalista WWF, pela empresa de consultoria energética Ecofys e pelo Escritório para Arquitetura Metropolitana (OMA, em inglês) afirma que é possível que 95% da energia utilizada no planeta provenha de fontes renováveis em 2050, reduzindo em pelo menos 80% a emissão de gases do efeito estufa. Hoje em dia, apenas 13% da produção energética deriva de fontes renováveis.

Stephan Singer, editor da pesquisa e diretor de políticas energéticas da WWF, diz que o estudo leva em consideração tecnologias existentes e disponíveis. Novas tecnologias em desenvolvimento, que ainda não são utilizadas nem comercializadas, poderiam possibilitar que o percentual de energia renovável chegasse a 100%.

Para isso, o relatório recomenda que sejam seguidos dez passos para um “futuro 100% renovável”: promover e desenvolver as atuais e as novas fontes de energia renovável; comercializar e fazer o melhor uso de fontes de energia sustentável em diferentes áreas; promover práticas domésticas sustentáveis a fim de estimular uma melhor distribuição de energia; investir em produtos que sejam eficientes e utilizem energia limpa; não desperdiçar comida; reduzir, reutilizar e reciclar (os três Rs); incentivar o uso de transporte público; desenvolver pesquisas em eficiência energética e energias sustentáveis; certificar que as energias renováveis sejam compatíveis com metas ambientais e de desenvolvimento e estimular acordos e cooperações sobre energias renováveis e de eficiência energética.

De acordo com o relatório, atualmente 1,4 bilhões de pessoas não tem acesso a energia segura. Apesar disso, outros países têm um consumo energético elevadíssimo, o que pode comprometer a utilização de combustíveis fósseis e a própria produção de energia. “Se todos consumissem a quantidade de energia que um cidadão de Singapura ou dos Estados Unidos utiliza, as reservas mundiais de petróleo se esgotariam em nove anos”, diz o estudo.

Ainda segundo a pesquisa, resíduos das fontes fósseis e nucleares, que atualmente correspondem a 80% da energia mundial, são muitas vezes despejados na natureza sem segurança, e podem ser nocivos por até dez mil anos. Outros dados alarmantes, como a extinção de 15% a 37% das espécies do planeta caso não haja mudança nesse panorama, estão expostos na pesquisa.

Apesar de possível, a mudança das atuais fontes energéticas para meios renováveis terá que superar muitos desafios. Um deles são os investimentos necessários para aumentar a geração de energia renovável. Segundo a pesquisa, nos próximos 25 anos, os investimentos devem passar de um €trilhão por ano a €3,5 trilhões.

A partir de 2040, tendo reduzido a dependência em combustíveis fósseis em 70%, estes gastos começariam a se pagar, superando os custos. Em 2050, a demanda de energia seria 15% menor que em 2005, apesar do crescimento da população mundial para nove bilhões de habitantes, e seriam economizados anualmente cerca de €4 trilhões, em razão da eficiência energética e dos custos reduzidos dos combustíveis alternativos.

Algumas informações apresentadas mostram que o potencial das energias renováveis é muito grande, mas ainda mal aproveitado. Conforme o estudo, se 0,3% da área do deserto do Saara fosse utilizada para a instalação de usinas de energia solar, a energia produzida poderia alimentar toda a Europa ou se 0,1% da energia dos oceanos fosse aproveitada, poderia ser gerada energia para 15 bilhões de pessoas.

E mais: “a implantação de um milhão de novas turbinas eólicas onshore e cem mil offshore poderia suprir a eletricidade de um quarto do planeta” e “fontes geotérmicas podem fornecer dez vezes a energia mundial, e em 2050 um terço do aquecimento de edifícios poderá ser feito através desta fonte de energia”. Toda a implementação destas novas tecnologias limpas acarretariam na economia de 60% dos custos com a iluminação mundial, por exemplo. Hoje em dia, são gastos nessa área cerca de $230 bilhões por ano.

Algumas ações já têm sido tomadas atualmente mesmo em países pobres ou em desenvolvimento, como a instalação de microhidrelétricas no Nepal para suprir a demanda energética doméstica ou a implantação de usinas eólicas em comunidades do interior do Kênia.

No Brasil, o relatório usa como exemplo fazendas na região de Ribeirão Preto, que anteriormente utilizavam toda a sua área para o pasto. Agora, os fazendeiros trocaram a grama pela cana-de-açúcar para produzir bioetanol, e aproveitam os resíduos da cana para alimentar o gado.

Mas apenas a mudança nas tecnologias de produção de energia não assegura um desenvolvimento sustentável. O estudo também aponta o estilo de vida de hoje como algo a ser transformado. Para isso, aponta algumas soluções: a redução no consumo de carne, o melhor aproveitamento dos alimentos, mais uso dos meios de transportes públicos, utilização de combustíveis menos poluentes nos meios de transporte etc.

Isso não significaria a diminuição da qualidade de vida. Ao contrário, placas fotovoltaicas nos telhados, lâmpadas de LED de baixo consumo, janelas energeticamente eficientes e carros elétricos podem contribuir para um aumento do conforto da população.

James P. Leape, diretor geral da WWF Internacional, afirma que o relatório não só mostra que a transição para energias renováveis é possível, mas que também tem alto custo-benefício, fornecendo energia para todos de maneira que possa ser sustentada pela economia mundial e pelo planeta. “A transição representará muitos desafios, mas eu espero que este relatório estimule governos e empresas a enfrentarem esses desafios, e ao mesmo tempo, possibilitar uma economia renovável. Não há nada mais importante do que criar um futuro sustentável”, completa.

O relatório vem ao encontro da pesquisa divulgada esta semana pela empresa Accenture e pelo banco Barclays Capital, que sugere que a Europa precisará investir €2,9 trilhões, ou 25% de seu PIB, para alcançar sua meta na redução das emissões de carbono.

 

Fonte: Carbono Brasil

 

Última modificação feita em Qua, 09 de Fevereiro de 2011 09:23
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Luis Thiago Lucio

Luis Thiago Lucio

Consultor de projetos ambientais na Agência de Desenvolvimento Regional do Extremo Oeste do Paraná, Instrutor de cursos voltados ao geoprocessamento aplicado, Tutor do curso de Atualização em Energias do Biogás | EaD, graduado em Engenharia ambiental, Especialista em Agrimensura e Geoprocessamento, cursando Especialização em Gestão Ambiental em Municípios pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Medianeira.

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