Faltam 100 dias para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável(Rio+20).
Diante da proximidade da realização da cúpula, a ONU alerta para que
governos, empresas e sociedade civil sejam mais ambiciosos em seus
projetos, para que o evento alcance um resultado mais eficaz no que se
diz respeito a soluções sustentáveis para problemas urgentes do planeta. A
conferência será realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 24 de
junho. Uma oportunidade histórica para que líderes de governo e
sociedade civil possam desenvolver políticas e medidas capazes de
reduzir a pobreza e a desigualdade, além de assegurar a proteção do meio
ambiente. Enquanto junho não chega, uma reunião entre os
representantes de países será realizada em Nova York entre os dias 19 e
27 de março. Outra rodada de negociações está agendada para 23 de abril a
4 de maio, também em Nova York. Na última semana antes da Rio+20 (de 13
a 15 de junho), um novo encontro está previsto na capital fluminense. Para
comemorar o marco de 100 dias e para destacar a campanha ‘O Futuro que
Queremos’, os parceiros globais, os ‘Major Groups’ e apoiadores do
Sistema das Nações Unidas usarão as mídias sociais para compartilhar
mensagens de apoio e destacar algumas das questões mais importantes, bem
como os objetivos da Rio+20. Mais de 100 presidentes e
primeiros-ministros, junto com milhares de parlamentares, prefeitos,
funcionários da ONU, executivos, líderes de ONGs, acadêmicos e
representantes de muitos outros grupos da sociedade civil, deverão se
reunir no Rio de Janeiro. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas para
participar da conferência. Fora das discussões oficiais, em torno de mil
eventos relacionados estão programados no período que antecede e
durante a cúpula. Receio de fracasso Apesar da magnitude do evento e das expectativas positivas, a crise internacional pode atrasar a implementação de uma economia verde
em alguns países, na opinião do secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang,
que visitou o Brasil na última semana para tratar de assuntos como a
logística da cúpula marcada para junho. “Ainda não conseguimos nos
livrar da sombra das crises financeiras. A transição para uma economia
verde, principalmente para os países em dificuldade, vai precisar de um
compromisso maior, muito forte, e mais ajuda dos desenvolvidos. É uma
questão internacional que pode criar, talvez, um atraso na implementação
da economia verde”, alertou Zukang em entrevista coletiva no Ministério
do Meio Ambiente. Para o secretário-geral, a conferência pode
ficar em segundo plano para líderes de alguns países devido a assuntos
internos. Ele citou, como exemplo, o período eleitoral nos Estados
Unidos. “Em ano de eleições, as grandes figuras políticas estão muito
preocupadas com o pleito para tratar de outros assuntos. Mas digo a eles
que não se preocupem. Sustentabilidade é uma questão que deve unir
oposição e situação. O desenvolvimento sustentável é o futuro que
queremos”, comentou. fonte: Ecodesenvolvimento 
Rio de Janeiro será palco da conferência duas décadas depois da emblemática ECO-92/ Foto: J.Gil
Fotógrafo premiado, James Balog era um cético acerca do aquecimento global, até que em 2005 ele recebeu a missão da publicação National Geographic
de ir até o Ártico para fotografar provas das mudanças climáticas no
planeta. No entanto, uma vez na região polar, ele percebeu que estava
errado, segundo informou a Revista Galileu. A mudança de percepção motivou Balog a gravar Chasing Ice
(Perseguindo o Gelo) para conscientizar a população de como as geleiras
da região estavam mudando. Para isso, ele iniciou o que chamou de extreme ice survey (Pesquisa
Radical no Gelo): acompanhado por um grupo de jovens aventureiros, ele
posicionou câmeras em lugares perigosos para produzir imagens do
derretimento durante alguns anos. Ao assistir à enorme série de
fotos registrada de 2007 até 2010, comprimida em vídeos de poucos
minutos, é possível ver o impacto que a atividade humana tem na natureza
e que as mudanças climáticas são uma realidade. Balog conseguiu até
capturar o momento em que uma enorme massa de gelo (medindo 87 km2, aproximadamente o tamanho de Manhattan) se desprende e vira um iceberg – observação rara até para cientistas especializados. Chasing Ice estreou no Festival de Sundance de 2012, em janeiro, e foi exibido na conferência SWSX, realizada em Austin (EUA). O canal da National Geographic comprou os direitos autorais da produção e deve exibi-la em sua programação.
Série de fotos foi registrada de 2007 até 2010/Foto: Divulgação Chasing Ice
por Marcos Cobra*
Gradativamente as empresas estão percebendo que investir em sustentabilidade é um bom negócio no médio e longo prazos. Em breve, será um bom negócio mesmo no curto prazo, pois a consciência por um mundo melhor, despoluído, faz bem às pessoas e economiza recursos do setor público na área de saúde. Isto está cada vez mais presente na mente das pessoas, enquanto consumidoras ou mesmo dirigentes públicos e privados.
Durante muitos anos, a indústria tabagista recolhia para o governo menos impostos do que ele gastava em seus hospitais e com previdência social. Ou seja, o malefício do tabaco era e é maior do que os benefícios tributários. Por esta razão, essas empresas já não gozam, como no passado, da simpatia do governante.
A própria legislação já não vê o fumante como um cidadão de primeira classe, banindo o fumo de ambientes públicos, fechados ou até mesmo abertos. Guindados à categoria de droga, os cigarros e as bebidas são vistos como inimigos de uma sociedade mergulhada em drogas e com problemas sociais, de segurança e de saúde .
Instaurou-se uma caça a bruxas, a produtos nocivos à saúde. E esta guerra não se restringe a produtos finais. Ao longo de toda a cadeia do processo produtivo, há uma preocupação com preservação e bem-estar das pessoas. O amianto, por exemplo, antes visto como um produto excelente na construção civil, na fabricação de telhas e caixas d’água, ganhou inimigos em quase todos os países do mundo, que travam uma batalha sem tréguas para eliminar esse produto cancerígeno. E a indústria do amianto corre tardiamente em busca de matéria-prima ou processo que substitua o amianto, sobretudo no segmento de construção civil.
Em meio a uma guerra declarada a drogas e aos produtos nocivos à saúde, as empresas, começam a abraçar a causa socioambiental, como a sua grande bandeira, na construção de uma sociedade com mais qualidade de vida e que projete para o seu negócio uma melhor imagem.
O marketing da sustentabilidade
O novo consumidor procura alimentos saudáveis e naturais e adota de vez a ideia de vida com saúde. Hoje, há uma busca por um comedimento alimentar, na qual a magreza é vista como uma nova virtude.
Portanto, muitas empresas precisam repensar seus negócios, antes que seja tarde e seus produtos emagreçam e virem pó, como aconteceu com os filmes fotográficos e cinematográficos analógicos em rolo da antigamente toda poderosa Kodak, diante das câmaras digitais. Foi ela quem inventou a câmera digital e o filme digital, mas manteve a invenção na prateleira, esperando um momento melhor, ou seja, tentando alongar ao máximo a vida útil do filme em celuloide. Antes tarde do que nunca é uma grande bobagem: a espera torna um produto obsoleto antes mesmo de ser lançado.
São negócios inteiros que se desfazem por falta de visão tecnológica e/ou mercadológica. Portanto, faz-se necessário pensar em sustentabilidade 24 horas ao dia.
As empresas devem ver o seu negócio dentro da aldeia global como um evento para um mundo melhor, aqui, agora e sempre. Temos novos mandamentos básicos neste novo mundo que precisa ser sustentável: preservar a água dos rios e nascentes, praias e lagoas, manter limpo o ar e o solo, e, sobretudo, não desmatar. E eles valem sobretudo para as grandes empresas que estão expostas diariamente ao consumo e enfrentam uma grande concorrência.
É preciso, no entanto, investir em comunicação para divulgar as ações preservacionistas que ajudarão a manter a imagem da empresa, sempre com bom conceito, junto a uma comunidade cada vez mais esclarecida e preocupada com a qualidade de vida.
Esta é uma ação que trás mais visibilidade para a empresa e, consequentemente, resultados de médio prazo nas vendas e, por decorrência, no lucro ao longo prazo. Por isso, investir em marketing – em todas as suas fases, da matéria-prima ao descarte, deve ser uma ação contínua, pois, se for esporádica, poderá ser inócua.
Quanto custa a sustentabilidade?
O custo de um marketing que inclua itens socioambientais e o valor dos produtos seriam sustentáveis? Em um artigo, Nizan Guanaes propõe uma resposta: “o sonho de consumo do brasileiro não é só o básico, é o luxo; a base da pirâmide não sonha em ser a base, mas sonha para cima”. (Manhã de Carnaval, Folha de S.Paulo, 21/2/2012, caderno B Mercado, p. B4.)
E na busca da realização de seus sonhos estaria o consumidor preocupado em consumir apenas produtos ecologicamente corretos? Talvez sim, talvez não.
O mercado brasileiro está preparado para estes produtos ecologicamente corretos? As pessoas estariam dispostas a pagar 20% a mais pelos produtos sustentáveis?
Segundo estudos do Instituto Akatu, os consumidores estão dispostos a pagar até 25% a mais por produtos ambientalmente amigáveis, pois ele sabe que vai ter de pagar a diferença de qualquer jeito, seja na hora da compra, seja no futuro, com a manutenção da saúde ou limpeza do meio ambiente.
O próprio Nizan Guanaes, no mesmo texto, arremata: “cada vez mais, o mundo quer ser brasileiro. Nosso estilo de vida agrada ao mundo. O Brasil não odeia ninguém. O Brasil não quer derrotar ninguém (menos no futebol, a Argentina). O Brasil é sorriso, e o mundo quer sorrir”.
Mas todos no planeta odeiam o Brasil, quando o assunto é o desmatamento da Amazônia.
Passos para a sustentabilidade
Sustentabilidade de acordo com a ONU é “o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”.
Isto implica mudança de postura empresarial. A seguir, sugerimos um roteiro.
1. A sustentabilidade deve ser uma busca contínua dentro da empresa. Mas “se uma empresa buscar ser 100% na sustentabilidade de imediato ela quebra”, afirma Albélio Dias, da Academia Mineira de Marketing.
<http://www.administradores.com.br/informe-se/entrevistas/marketing/se-uma-empresa-entrar-100-na-sustentabilidade-ela-quebra-diz-especialista-em-marketing/65/> Acesso: 24.fevereiro.2012, 17h45min
2. Eu digo, porém, que, se as empresas muito expostas não considerarem a sustentabilidade em seus planejamentos estratégicos, a probabilidade de quebra também existe e é grande. As menos expostas, provavelmente, demorarão mais a serem percebidas pelos clientes.
3. A busca pela sustentabilidade deve fazer parte da cultura da empresa, mobilizando funcionários, acionistas, fornecedores e consumidores. É sobretudo, um processo educativo.
4. A sustentabilidade deve ter início em um produto e depois se estender aos outros produtos da linha da empresa.
5. A sustentabilidade deve estar focada no negócio da empresa.
6. É preciso formar pessoas social e ecologicamente responsáveis.
7. Deve-se desenvolver pensamentos sustentáveis nos consumidores e fornecedores.
O hemisfério norte experimentou um desenvolvimento baseado na utilização de matérias-primas e mão de obra do hemisfério sul. Muitas vezes, esse uso foi abusivo, devastando grandes áreas florestadas e, o que é muito mais grave, destruindo grupamentos humanos.
A palavra sustentabilidade está na moda. As ações de sustentabilidade estão na primeira infância. O marketing socioambiental pode ajudar a acelerar o processo de amadurecimento.
* Marcos Cobra é professor da Universidad De La Empresa (UDE), Montevidéu, Uruguai; presidente do Instituto Latino-Americano de Marketing e Vendas (Ilam), São Paulo, SP; pós-doutorado na University of Texas System (UTS), Estados Unidos; mestre e doutor em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, onde foi professor e chefe do Departamento de Marketing; homenageado no Mkt Best 2011 pela sua contribuição ao marketing brasileiro como professor e profissional (http://www.ilam.com.br/).
(O Autor)
As multas milionárias foram aplicadas pela destruição de vegetação equivalente a duas cidades de São Paulo. Foto: Sxc.hu
A provável aprovação do novo Código Florestal, com votação prevista para terça-feira, 6 de março, deve levar a anistia de 75% das multas acima de R$ 1 milhão impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal. A informação foi divulgada em reportagem de Lúcio Vaz e João Carlos Magalhães, publicada nesta segunda-feira (5) no jornal Folha de São Paulo.
Os repórteres tiveram acesso à lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão ambiental. Dessas, 139 superam a marca de R$ 1 milhão e 103 serão suspensas, caso seja aprovado na Câmara o texto do código vindo do Senado.
As multas milionárias a serem anistiadas somam R$ 492 milhões e foram aplicadas pela destruição de 333 mil hectares de vegetação, o equivalente a duas cidades de São Paulo. No total, a lista revela que o valor total das multas perdoadas com a aprovação do texto chegará ao montante de R$ 8,4 bilhões.
Perfil
A maioria das infrações milionárias foi aplicada pelo Ibama entre 2006 e 2008 e nenhuma destas foi paga até hoje. Além disso, pelo menos 48 dos produtores anistiados também respondem a processos judiciais por crimes contra o ambiente – punição esta que deverá ser extinta com o novo texto. Da lista, dez foram processados também por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo.
Os dez maiores desmatadores destruíram 98 mil hectares e receberam multas no valor de R$ 166 milhões
A grande maioria dos infratores são os proprietários de fazendas e de empresas agropecuárias, embora também haja donos de madeireira, agroindústria, frigorifico, curtume, imobiliária e posto de gasolina.
Perdão
O documento prevê a anistia de todas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. As punições que foram aplicadas após esta data continuarão a valer.
Para ser beneficiado com a anistia, o produtor terá três alternativas: recompor a reserva legal (sendo que metade da área pode ser com espécies exóticas), permitir a regeneração natural ou adquirir área de vegetação nativa de mesmo tamanho e bioma do terreno desmatado.
Votação
O novo código florestal será votado amanhã em meio a polêmicas. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), por exemplo, manifestou-se contrária à aprovação do texto que saiu do Senado.
Um dos pontos mais polêmicos é a redução das áreas de preservação permanente (APPs) nas margens de rios. Segundo um documento elaborado pela organização, entregue ao relator da matéria na Câmara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), as APPs serão reduzidas pela metade com o novo texto.
Para os cientistas, esse e outros trechos teriam que ser suprimidos pelo relator. Caso isso não ocorra, a SBPC informou que fará uma movimentação social para pressionar a presidenta Dilma Rousseff a vetar o projeto.
O que deve acontecer, pois o relator da proposta afirmou à Agência Brasil que não poderá incluir novas mudanças no projeto, uma vez que este já passou pelas duas casas e, agora, será apenas revisto. “Eles pedem muita coisa que não é mais possível”, reiterou Piau.
* Publicado originalmente no site EcoD.
por Renata Giraldi*, da Agência Brasil
Brasília – A Organização das Nações Unidas (ONU) informou, por meio de relatório, que o mundo atingiu os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) ao reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável. O documento alerta, no entanto, que o mundo ainda está longe de atingir a meta de saneamento. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que é necessário manter os esforços para avançar: “[É preciso] assegurar que todas as pessoas tenham acesso aos mesmos”.
O relatório aponta também as fragilidades das áreas rurais, evidenciando que nos países menos desenvolvidos, 97 em cada 100 pessoas não têm água canalizada e 14% da população bebem água de superfície – dos rios, das lagoas e dos lagos.
O relatório foi elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e lançado simultaneamente em Genebra (Suíça) e Nova York (Estados Unidos). O documento intitulado Programa de Monitoramento Conjunto para o Abastecimento de Água e o Saneamento analisa o período de 1990 a 2010.
O relatório constata que mais de 2 bilhões de pessoas passaram a ter acesso a fontes de água de melhor qualidade, com abastecimento canalizado e poços protegidos. No fim de 2010, 89% da população mundial, o equivalente a 6,1 bilhões de pessoas, usaram fontes melhoradas de água potável – acima da meta dos 88% traçados pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
A estimativa é que até 2015, 92% da população global terão acesso à água potável melhorada. Mas, pelo menos 11% da população mundial, o equivalente a 783 milhões de pessoas, continuam a não ter acesso à água potável. De acordo com os dados, 1,1 bilhão de pessoas continua sem redes de esgoto, e cerca de 4 mil crianças morrem diariamente por doenças diarréicas associadas à falta de qualidade da água.
“Os números são ainda chocantes”, disse o diretor executivo do Unicef, Anthony Lake. “Mas os progressos anunciados demonstram que as metas dos ODM podem ser alcançadas, com vontade, esforço e fundos”, acrescentou.
Com base no relatório, apenas 63% da população mundial têm acesso a saneamento de qualidade. A previsão é que até 2015 esse percentual atinja 67%. “Melhorar a qualidade da água, do saneamento e das condições de higiene é fundamental para promover a saúde humana e o desenvolvimento”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.
*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa//Edição: Graça Adjuto
** Publicado originalmente no site da Agência Brasil.
Da Agência Ambiente Energia - Na semana passada, 10 instituições de pesquisa do Brasil e do exterior estiveram reunidas no Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) para formatar o Centro Internacional de Energias Renováveis – com ênfase em Biogás (CIER-Biogás). O lançamento do centro será feito durante a cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece em junho, no Rio de Janeiro.
“Paradoxalmente, o centro será uma entidade descentralizada”, resume o superintendente da Assessoria de Energias Renováveis (ER.GB) da Itaipu, Cícero Bley Júnior. “A ideia é não concentrar as pesquisas em um único lugar, mas fazê-las de forma disseminada. As próprias características do biogás nos força a isso: cada região tem sua realidade.”
Para Bley, a maior qualidade no processo de criação do CIER-Biogás é que todas as ações têm resultado concreto, como é o caso, por exemplo, do Condomínio Ajuricaba, que já está em funcionamento em Marechal Cândido Rondon (PR). Ele lembra que a verba para manter o centro está assegurada no orçamento de Itaipu até 2015 e que há muitas outras fontes previstas de financiamento.
Coordenado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o futuro centro será o primeiro destes moldes na América Latina e o único do mundo com ênfase em biogás. A Onudi já tem outros centros com ênfase em outras fontes de energia renováveis.
Nos últimos dois dias, Bley Júnior apresentou a ideia do centro aos representantes das entidades – entre eles, o diretor técnico da Onudi, Dmitri Piskounov. Na tarde de quarta-feira, eles visitaram o Condomínio Ajuricaba (mais informações abaixo).
“O que o Brasil vem fazendo na área de agroenergia é importante, porque pode ser levado ao continente africano”, afirma Piskounov. De acordo com ele, na África há muita matéria orgânica desperdiçada que poderia ser aproveitada como combustível. “E para isso, contaremos com a expertise do Brasil”, conclui.
O Condomínio Ajuricaba – No total, 33 propriedades contam com biodigestores, que fazem o tratamento dos dejetos da pecuária. Depois de serem digeridos por microorganismos, os resíduos produzem biogás, que é canalizado para uma microcentral termoelétrica. Os resíduos finais são armazenados em um lago e bombeados para a pastagem como fertilizante. São 25,5 km de gasodutos instalados. Quando estiverem em pleno funcionamento, o conjunto de propriedades irá gerar 820 m³ de biogás.
Parte do gás é usado na secagem de grãos, utilizados para a produção de ração. O uso nobre do biogás acontece depois de ele passar por um filtro que separa o metano do gás carbônico e do ácido sulfídrico. Ele chega com 70% de metano e sai com mais de 90%, podendo ir para a microcentral elétrica e gerar energia. A eletricidade é usada nas propriedades e o excedente é vendido para Copel. Assim, os produtores ganham com fertilizante, energia e créditos de carbono. (Informações de Itaipu Binacional)
Um convênio assinado na tarde desta sexta-feira (10), entre a Fundação Parque Tecnológico Itaipu e a Fundação Banco do Brasil, oficializou a implantação de um Centro de Referência e Difusão de Tecnologias Sociais em Foz do Iguaçu. Com sede no PTI, o Centro terá início em abril.
Participaram da reunião, representando o Banco do Brasil, o gerente de Relacionamentos, Luiz Carlos Vieira, e o gerente de Negócios, Werner Gustavo Lanver. A reunião também contou com a presença de representantes da diretoria da Fundação PTI.
De acordo com o diretor-superintendente da Fundação PTI, Juan Carlos Sotuyo, a criação deste centro tem grande importância na disseminação das tecnologias sociais nas comunidades da região. “Ter este centro no PTI representa uma excelente oportunidade de avançarmos no processo de integração do Mercosul. Além de podermos aproveitar todo o banco de tecnologias sociais que a Fundação Banco do Brasil possui, podemos incrementar o que nós já estamos desenvolvendo dentro das áreas de educação, meio ambiente, software, ciência, entre outras”, destacou.
Por meio do desenvolvimento de soluções de baixo custo – as chamadas tecnologias sociais – o centro terá como objetivo promover o desenvolvimento sustentável e democrático da região pelo fomento ao desenvolvimento e reaplicação deste tipo de tecnologia, gerando oportunidades de trabalho e renda.
O projeto deve impactar no fortalecimento dos processos e ações desenvolvidas na região, além de facilitar e ampliar a difusão e reaplicação das tecnologias sociais de forma democrática e participativa. O público atingido com as ações do Centro deve ser amplo. Somente no PTI, diariamente circulam mais de 4 mil pessoas, além dos visitantes de projetos educacionais como a Estação Ciência e Polo Astronômico. Já entre gestores e parceiros do Programa Cultivando Água Boa, o número de pessoas atingidas deve chegar a 2 mil.
No próprio PTI, duas ações são certificadas pela Fundação Banco do Brasil: o Centro de Referência em Segurança Alimentar Nutricional Sustentável (CRESANS) - que contribui para a erradicação da desnutrição e promove a saúde da população – e o Programa Trinacional de Artesanato Ñandeva – que foi um dos 27 finalistas do Prêmio de Tecnologia Social, promovido pela Fundação Banco do Brasil e que contou com 1.116 projetos inscritos de todo o País.
No decorrer dos trabalhos, o órgão deve implantar ambientes de demonstração de tecnologias sociais em formato interativo e digital, fazendo uso de tecnologias intuitivas, maquetes físicas e/ou eletrônicas, com conteúdos para aprendizagem e formação.
Pontapé inicial
A ideia da criação do Centro começou a ser discutida em dezembro de 2010, quando o PTI recebeu a 10ª Cúpula Social do Mercosul, evento promovido pela Secretaria Geral da Presidência da República do Brasil, em parceria com redes e plataformas sociais sul-americanas e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
Na ocasião, o painel “Tecnologias Sociais na América do Sul” promoveu um debate sobre as diversas abordagens e conceitos deste tipo de tecnologia, emergindo fortemente a necessidade de promover um estilo de desenvolvimento social e ambientavelmente sustentável no âmbito do Mercosul. Após a Cúpula, propôs formar uma rede regional (Mercosul) de Tecnologia Social e demais organização, e a criação deste Centro, no PTI.
A Itaipu, a Fundação Parque Tecnológico Itaipu, o BNDES e a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop) pactuaram, na quarta-feira (15), em Curitiba, um acordo para a elaboração dos planos de saneamento ambiental de todos os 52 municípios da região. Além dos planos de saneamento, o acordo também inclui financiamentos para programas de geração de trabalho e renda e para a elaboração de projetos de gestão pública.
A Fundação PTI está finalizando uma carta convite a ser submetida ao BNDES, solicitando recursos para a elaboração dos planos municipais. De acordo com o documento, o BNDES assumirá 50% dos custos com recursos não reembolsáveis.
Representando as instituições, estiveram presentes o assessor da diretoria-geral da Itaipu, Herlon Goelzer de Almeida; o chefe do departamento de inclusão social do BNDES, Angelo Fuchs; o presidente e o vice-presidente da Amop, prefeitos Eliezer Fontana (de Corbélia) e José Carlos Schiavinato (de Toledo), respectivamente; e Angelita Hanauer, que coordenará o projeto da parte da Fundação PTI. Ao todo, 15 prefeitos participaram da reunião.
Segundo Fuchs, essas ações estão alinhadas com o programa Brasil Sem Miséria. Serão R$ 10 milhões para a elaboração dos projetos de saneamento, R$ 10 milhões para as ações de gestão pública, e R$ 16 milhões para os programas de geração de emprego, que serão realizados em parceria com cooperativas de trabalho.
Plano integrado
A principal novidade está nos planos de saneamento, que contemplam o tratamento de esgoto, abastecimento de água, drenagem e gestão de resíduos sólidos. A região Oeste do Paraná é pioneira, no País, na elaboração desses planos de forma integrada. “As prefeituras têm de 2012 a 2014 para apresentarem seus planos", explicou Almeida. "Mas os municípios da região estão se adiantando e se preparando para gerir esses resíduos por meio de consórcios municipais, em grupos de cinco a sete prefeituras”, afirmou o assessor.
O Parque Tecnológico Itaipu também abrigará uma plataforma de informações orientativas às prefeituras, referente a saneamento, e, a partir da metade do ano, promoverá cursos de capacitação à distância em cooperação com o Ministério das Cidades e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Para Almeida, com o arranjo acordado, "a região Oeste do Paraná dá um passo significativo para a construção conjunta de soluções e estabelece como meta zerar os passivos ambientais municipais num limite de 10 anos, entre elaboração dos projetos e a execução das obras previstas”. Fonte; PTI
por Emilio Godoy*
Gansos azuis em voo de inverno sobre a Floresta Apache, no Novo México, Estados Unidos. Foto: Photostock/IPS
Pesquisadores sugerem estudar as relações entre variações climáticas, aves migratórias e pandemias de gripe.
Cidade do México, México, 13 de fevereiro de 2012 (Terramérica).- As variações climáticas poderiam influir na propagação de pandemias como a da gripe A/H1N1, inicialmente conhecida como gripe suína, as quatro pandemias de gripe – de 1919, 1957, 1968 e 2009 –, e encontramos que cada uma ocorreu na primavera ou no começo do verão boreal, precedida por temperaturas da superfície marinha abaixo do normal, indicador da fase do La Niña”, explicou ao Terramérica o doutor em ciências climáticas, Jeffrey Shaman, da Mailman School of Public Health, da Universidade de Columbia.
“Sabe-se que as aves silvestres são o primeiro reservatório de vírus da gripe A e que facilitam a emergência de novas linhagens pandêmicas, transmitindo vírus para humanos e animais domésticos”, diz o artigo escrito por Jeffrey e seu colega Marc Lipsitch, da Harvard School of Public Health. “As aves migratórias, com suas viagens de longa distância e muitas escalas, são consideradas particularmente cruciais para a mescla e recombinação dos genomas dos vírus de gripe”, afirmam os autores.
O artigo The El Niño-Southern Oscillation (Enso) – Pandemic Influenza Connection: Coincident or Causal? (O Fenômeno El Niño Oscilação do Sul (Enos) – Conexão com a Gripe Pandêmica: Coincidência ou Casual?) foi publicado em janeiro pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences, dos Estados Unidos. O La Niña é a fase fria do Enos, um fenômeno climático e marítimo cíclico, que afeta os padrões meteorológicos em todo o mundo e é parte do sistema que regula o calor na zona entre os trópicos no Oceano Pacífico oriental.
O Enos está pautado por mudanças na temperatura da superfície oceânica e na pressão atmosférica. O La Niña transporta água mais fria ao longo do Pacífico e costuma apresentar-se com uma frequência entre dois e sete anos, mas também de forma consecutiva, como ocorreu em 2011 e nos primeiros meses de 2012. Os especialistas sugerem que as condições do La Niña podem juntar subtipos divergentes de gripe em algumas partes do mundo, e favorecer a recombinação da doença mediante infecções múltiplas e simultâneas em portadores individuais e a geração de novas cepas pandêmicas.
O Enos afeta a saúde e o cosurgida no México e nos Estados Unidos em 2009. Esta é a hipótese de um artigo científico que propõe investigar os vínculos entre variações climáticas, migrações de aves e pandemias de gripe.
“Examinamos
mportamento das aves migratórias, ao alterar a biomassa dos animais, os padrões de voo e escalas, o tempo de troca da plumagem e a densidade populacional. A Oscilação do Sul muda drasticamente as condições meteorológicas – temperatura, precipitação pluvial, velocidade e direção do vento –, que por sua vez podem influir no comportamento das aves. Em abril de 2009, começaram a surgir no México casos de um tipo de gripe A até então desconhecido, que logo seria batizado de H1N1.
Devido à onda de contágios, o governo federal e a prefeitura da Cidade do México ordenaram o fechamento de escolas e estabelecimentos comerciais, e a suspensão de atividades públicas como concertos e missas. Em junho daquele ano, a Organização Mundial da Saúde declarou estado de pandemia e promoveu o desenvolvimento de vacinas e o fornecimento do medicamento oseltamivir, que o laboratório Roche vende sob o nome de Tamiflu.
“Sempre se soube que as variações climáticas mudam os vírus, desde o tempo dos gregos. Eles evoluem muito em épocas de frio e seca, e agora as duas condições se juntam”, explicou ao Terramérica o médico mexicano, Federico Ortiz, que em 2009 publicou o livro Código A (H1N1). Diário de uma Pandemia. Desde 2009 até este mês, foram registrados no México 252.388 casos de gripe, dos quais 75.328 correspondem ao A/H1N1, segundo o Ministério da Saúde. Morreram 2.261 pessoas, 1.837 pela nova cepa.
Entre 2011 e este ano, parece ter ocorrido uma onda de contágios. No ano passado, foram registrados 925 casos de gripe, 345 de A/H1N1. Neste 2012, já foram contabilizados 2.815 infectados, e 2.544 pelo novo vírus. No ano passado, morreram 50 pessoas no México por gripe, e 40 delas por A/H1N1. Nos dois primeiros meses de 2012, os mortos foram 58 e 54, respectivamente.
“O efeito do Enos sobre a saúde e a conduta das aves migratórias poderia ser um meio pelo qual o ambiente em grande escala altera a probabilidade de eventos de recombinação do vírus da gripe e a transmissão para portadores humanos”, ponderou Jeffrey. Para provar sua hipótese, os acadêmicos sugerem estudar a genética das populações de gripe, a prevalência dos vírus em várias espécies portadoras e os padrões de migração de aves.
Há uma ampla literatura que documenta os efeitos do Enos em doenças infecciosas como malária, dengue e cólera, e alguns estudos parciais sobre seus vínculos com epidemias locais de gripe sazonal. Entretanto, até agora, “nossa capacidade para prever o desenvolvimento de uma gripe pandêmica é limitada”, afirmam os autores. “A gripe típica tem maior incidência e mortalidade. O A/H1N1 não é tão letal como se pensou”, afirmou Federico. “No entanto, conforme o vírus se expande, aumenta sua diversidade genética. Por isto, é possível que haja um crescimento maior”, previu.
* O autor é correspondente da IPS.
por Reinaldo Canto*
Foi um mês de janeiro chuvoso. E como choveu! Os dias totalmente ensolarados puderam ser contados nos dedos em boa parte do território nacional. Como tem sido de praxe, as notícias sobre enchentes e deslizamentos foram acompanhadas das já tradicionais alegações mais do que batidas.
- As águas do rio invadiram as casas e as pistas da avenida!
- A forte chuva foi a responsável pelo desabamento do morro e pelo soterramento das casas!
- A chuva torrencial foi à causadora da enchente que inundou as casas do bairro!
São bordões a que já nos acostumamos e seu conteúdo, de certa maneira, contribui decisivamente para perpetuar essas conhecidas variações de tragédias de verão com perdas de vidas humanas e prejuízos materiais.
As águas do rio não invadem casas e pistas, elas apenas ocupam, salvo exceções, áreas naturais de transbordo. O problema aí é que as casas, construções, avenidas e estradas é que estão a se utilizar de espaços indevidos.
O mesmo vale para morros e montanhas desprovidos de suas vegetações naturais. Neste caso, a chuva é injustamente responsabilizada por tragédias. É apenas mais um caso de ocupação irregular.
O processo acelerado de impermeabilização das cidades é um dos fatores que mais contribui para as enchentes. A chuva cai e a água não sendo capaz de escoar, por consequência, vai se acumulando sobre superfícies asfaltadas e concretadas, provocando as cheias.
Ao insistir com as mesmas justificativas não enfrentamos verdadeiramente esses problemas. Mesmo que se possa constatar, nos últimos anos, o aumento progressivo no volume de chuvas, bem como, períodos de estiagem maiores resultantes do aquecimento global, também é verdade que épocas de chuva e seca são conhecidas e previsíveis.
Nessas ocasiões, são constantemente mencionadas a incompetência, desvios e omissões de nossas autoridades. Obras prometidas que não foram feitas, desleixo na limpeza de rios e córregos, a não retirada de famílias vivendo em áreas de risco, e até mesmo a atitude pouco civilizada das pessoas ao jogar lixo nas ruas e rios. Tudo isto é verdade e merece ser denunciado, mas também é preciso interagir de maneira mais amigável com os fenômenos naturais.
Com a acelerada urbanização nas sociedades modernas assistimos a um processo de distanciamento do que poderíamos chamar de “leis da natureza”. Nada mais, nada menos do que respeitar, entender e conviver com dinâmicas e ciclos do planeta.
Muitas vezes, ao ultrapassar certos limites, ocorrem reações ambientais que poderiam ser evitadas, bastando para isso, apenas, a observação e o conhecimento. A força de reação da natureza não pode ser desprezada como vem acontecendo de maneira progressiva. O poder da água, como guardiã da vida na Terra, deve ser respeitado, mas também deve ser entendido como capaz de tirar essas mesmas vidas. As nossas enchentes e o acidente de Fukushima, no Japão, são exemplares dessa força descomunal e destrutiva.
Temos o direito, mas também o dever de agir para garantir um ar bom para respirar, água pura para beber e alimentos saudáveis que colaborem com a nossa saúde. Para se alcançar esses objetivos, respeitar o meio ambiente é fundamental. Se no passado a meta era “vencer”, hoje é preciso buscar todos os caminhos para viver em harmonia com a natureza e dela extrair todos os benefícios resultantes dessa boa convivência.
As boas intenções
Recentemente, com as melhores intenções, não duvido disso, um grande banco anunciava: “O que a enchente destruiu sozinha, a gente pode reconstruir juntos” e colocou à disposição um número de conta para ajudar as pessoas e famílias prejudicadas pelas chuvas.
Essa é uma típica situação de desconhecimento das leis naturais, conforme descrevi acima. Em primeiro lugar a enchente não destruiu sozinha, o ser humano deu a sua contribuição determinante ao construir em locais inadequados, não permitindo a vazão das águas. Depois, ao falar em reconstruir, que significa fazer da mesma maneira, do mesmo jeito e no mesmo lugar serão cometidos os mesmos erros que levaram a tragédia.
Nesse caso, vale a pena rever valores e estratégias para obter os melhores resultados para o banco e para as pessoas.
Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de Comunicação do Greenpeace e coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. É colunista da revista Carta Capital, colaborador da Envolverde e professor de Gestão Ambiental na Fappes.
** Publicado originalmente na coluna do autor no site Carta Capital.