Os baixos índices de umidade provocados pela seca prolongada e as queimadas que todo ano consomem parte do Cerrado jogaram uma cortina de fumaça sobre a capital brasileira esta semana. Associado a essa emissão de “gases de efeito estufa”, que provocam o aquecimento do planeta, cresceram as filas nos postos de saúde por complicações respiratórias. Tudo às vésperas do 11 de setembro, quando o Brasil celebra o Dia do Cerrado. Queimadas cobrem a capital brasileira com fumaça
A estação seca ocorre anualmente de maio a setembro, mas em 2011 ela se mostra ainda mais severa. A umidade tem chegado a 10% em algumas regiões do país. As queimadas também não dão trégua, devoraram parcelas da Área de Proteção Ambiental Gama-Cabeça de Veado, da Base Aérea de Brasília, a Floresta Nacional de Brasília, a Estação Ecológica de Águas Emendadas e até uma área protegida onde está o Palácio do Catetinho, onde o então presidente Juscelino Kubitschek despachava durante a construção de Brasília.
Só no último fim de semana, segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, foram registrados mais de 80 focos de queimadas, que destruíram quase 800 hectares de Cerrado. Ano passado, as queimadas cresceram 350% em todo o Cerrado em relação a 2009, como mostrou o WWF-Brasil.
Conforme a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a fumaça carrega substâncias tóxicas que irritam os olhos e as vias respiratórias, e prejudica principalmente quem já tem problemas como asma, bronquite e sinusite. Algumas escolas dispensaram alunos pela gravidade da situação.
“A seca e as queimadas ocorrem naturalmente no Cerrado, mas apenas em determinadas condições, por isso não podem ser encaradas como uma surpresa. O poder público precisa se antecipar e se preparar de forma mais adequada para evitar e combater esse problema, reduzindo as perdas de Cerrado, a emissão de poluentes e preservando a saúde da população”, ressaltou Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil.
O Brasil quer garantir sustentabilidade ambiental, social e econômica para a Copa de 2014. A chamada "Copa Verde" foi debatida em audiência pública da Comissão de Turismo e Desporto.
Desde a Copa de 2006, na Alemanha, a Federação Internacional das Associações de Futebol (FIFA) obriga o país-sede a adotar medidas ambientalmente sustentáveis que privilegiem, por exemplo, a mobilidade urbana e a redução do consumo de água e energia.
O diretor do Departamento de Articulação e de Ações na Amazônia da Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Suarez, disse que o governo brasileiro já iniciou uma agenda integrada de ações, que também contemplam a cúpula ambiental Rio + 20, prevista para 2012, a Copa das Confederações, em 2013, e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
Suarez destacou algumas dessas ações: certificação de estádios para que tenham aproveitamento de água da chuva; aproveitamento ao máximo da energia solar e da ventilação natural; acessibilidade para pessoas portadoras de qualquer necessidade especial; cidades sustentáveis; mobilidade urbana; e a questão da produção, compras e consumo sustentáveis.
“Também está em discussão a questão da Copa Orgânica, que envolve da agricultura familiar aos produtores orgânicos e também os grandes empresários”, acrescenta. “Nós queremos chegar ao nível de 30% de consumo de produtos orgânicos. E isso é para o País, não é só para a Copa. Isso é para ficar."
Reportagem - José Carlos Oliveira/Rádio Câmara
Edição - Newton Araújo
Maiores informações: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/MEIO-AMBIENTE/149542-BRASIL-QUER-GARANTIR-SUSTENTABILIDADE-AMBIENTAL-PARA-A-COPA-DE-2014.html