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MUNDO ÁGUA

Sáb, 21 de Março de 2015 08:15

Dia Mundial da Água: Jorge Samek destaca usos múltiplos da água e importância da preservação ambiental

Escrito por  Vacy Alvaro
Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional. Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional.

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o tema "Água e Desenvolvimento Sustentável" para ser o centro das discussões e reflexões em todo o planeta no Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março.

Em razão disto, a Web Rádio Água, juntamente com o Programa Hidrológico Internacional da UNESCO (PHI-UNESCO), produziu uma série de conteúdos que trazem a visão deste conceito por pesquisadores e especialistas em temas como a crise hídrica na América Latina, o acesso democrático à água, a ciência e a tecnologia a favor dos recursos hídricos, o nexo água-energia, entre outros.

Ao todo foram 12 entrevistas com representantes de vários países que trouxeram sua perspectiva sobre o tema, além do diálogo sobre ações e projetos que estão sendo executados em prol da preservação e de um uso sustentável dos recursos hídricos.

Finalizando a série, o entrevistado é Jorge Samek, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional. Ele destaca a importância da água como maior patrimônio natural da humanidade e como matéria-prima para a produção de energia limpa e renovável:

“Todas as hidrelétricas que conseguem produzir energia (no caso do Brasil abastece boa parte do País) tem na matéria-prima exatamente a água. Sem água, as hidrelétricas não funcionam, não tem a capacidade de poder gerar energia necessária para o desenvolvimento do Brasil. E é dentro desse contexto que Itaipu executa um programa grande, muito estruturado, no sentido de cuidar desse que é o nosso maior patrimônio, que é exatamente a nossa matéria-prima. Então em uma área de mais de um milhão de hectares nós trabalhamos com o conceito de preservar todas as nascentes, todos os rios, recompusemos toda a mata ciliar do reservatório (são quase 110 mil hectares que nós temos hoje de matas recuperadas, parques, áreas de preservação). Depois demos um segundo passo: estamos pegando todos os rios, córregos e riachos que nascem na Bacia do Paraná 3, uma abrangência de mais de um milhão de hectares. Estou falando de 29 municípios apenas do lado brasileiro (tem quase a mesma quantidade no lado paraguaio), nós fomos recuperando essas nascentes, fazendo um trabalho enorme de educação nas escolas e universidades. Passamos a trabalhar com o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Emater (Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural), secretarias municipais de agricultura e do meio ambiente para também praticar uma agricultura que não acarretasse o problema de erosão, e com isso só se pratica um plantio direto de qualidade, que estamos trabalhando junto com a Federação Brasileira do Plantio Direto no sentido de não remover o solo e com isso não ter erosão que carreie segmentos de terra para o reservatório, além de todos os projetos com as estradas em nível, mudança do ponto de vista de também poder praticar agricultura orgânica, poder fazer substituição em áreas mais nobres, próximos de captação de água. Ter um trabalho bem cuidadoso no sentido de preservar ao máximo a água”.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu também lembrou da importância da conscientização das pessoas quanto ao uso racional dos recursos hídricos, tanto para crianças como para adultos, além da importância da água para o desenvolvimento de uma região:

“O Brasil tem quase 14% da água doce disponível no planeta. Quando nós pegamos o Brasil mais a América Sul, pulamos para 25% da água doce disponível no planeta. Então a nossa responsabilidade é imensa. E sempre quando a gente tem abundância, há um processo que as pessoas pensam que é infinito. Que nunca faltar. Que nunca vai terminar. Que os cuidados não devem ser tomados. Então nós tratamos nossos rios com muito desleixo. Se você pegar as cidades é uma verdadeira vergonha do ponto de vista de como os esgotos sanitários são jogados diretamente no rio sem tratamento, quando a tecnologia já aponta formas de poder conviver entre o desenvolvimento, a ocupação territorial, mas também o respeito ao meio ambiente. Então nós temos muito o que avançar, mas essa temática podemos dizer que é relativamente nova, que ganhou impulso nos últimos 20 anos e com muito maior ênfase nos últimos dez anos. Não fazia parte dos currículos das escolas, da consciência da população da minha geração. A palavra 'sustentabilidade', a questão do meio ambiente, preservação, isso tudo eram coisas que a geração passada não convivia com essas temáticas. Vivíamos o período da fartura, de achar que nunca ia acabar, que nunca ia faltar, tamanho foi a benção que o Brasil recebeu de recursos naturais. E agora que estamos começando a ver que as coisas são bem diferentes. Estamos convivendo com estresse hídrico, com poluição, mudanças cada vez maiores, dificuldades maiores do ponto de vista de abastecimento de água, energia e tudo isso. E dentro desse processo, as duas coisas se compõem porque não tem desenvolvimento no mundo que se faz sem energia. Os países de primeiro mundo, de segundo mundo, quem quer crescer, se você quer abrir um negócio, abrir um comércio, fazer uma fábrica, abrir uma indústria, morar na casa, ter conforto, isso se faz com energia. Agora, as fontes e a matriz energética é ampla, ela vai do urânio, passa pelo carvão, gás, biomassa, eólica, solar, hidráulica, e o Brasil tem esse privilégio de ter todas elas e com abundância na questão relacionada à hidrelétrica. Nós até agora só utilizamos 40% do potencial hidráulico no Brasil. Então nós temos mais 60% ainda a ser explorado. Eu acho que com esse advento, esse avanço tecnológico e das consciências, as coisas estão tomando rumo certo para que as grandes hidrelétricas poderem também ser fator de desenvolvimento, trabalhar na preservação do meio ambiente. A água não tem mais um único uso, mas tem um uso múltiplo do ponto de vista de abastecer as cidades, dessedentar os animais, fazer irrigação, criar peixes, enfim ter essas diversas facetas, água para lazer, pesca, para fazer praínhas, tudo isso deve estar nesse contexto para a gente saber conviver, utilizar esse bem magnífico da natureza, mas preservar  no limite dos nossos conhecimentos. Trabalhar com responsabilidade nisso. Água, ar e terra nós não herdamos dos nossos pais. Nós pegamos emprestado dos nossos filhos e netos, e temos a obrigação de devolver em condições melhores do que recebemos. E a tecnologia nos aponta esse caminho. Estou muito esperançoso e otimista porque tenho visto experiências magníficas acontecendo no planeta inteiro, tenho visto águas que estavam completamente poluídas, rios que estavam completamente mortos, rios que só transportavam esgotos e estão sendo recuperados ou que já estão recuperados depois de um tratamento, depois da implantação de tecnologias adequadas por um longo período, depois das pessoas ganharem consciência da importância de manter e preservar o rio voltaram a ter peixes, voltaram a ser áreas de lazer, voltaram a abastecer as cidades de água. Então há resultado. O rio precisa sair da sua calha, não ocupar esses lugares, manter a mata ciliar, manter o lençol freático, fazer uma agricultura com responsabilidade, sempre que possível não remover o solo, manter o plantio direto, fazer a curva de nível, fazer as estradas de nível. Tudo isso aponta para um futuro que nós podemos construir muito melhor do que esse que temos hoje”. 

Jorge Samek também lembrou do papel das empresas e indústrias na questão da sustentabilidade, citando como exemplo o trabalho desenvolvido pela Itaipu Binacional no setor: 

“Muitas das empresas passaram a ter esse conceito de empresa-cidadã. Não ser mais uma empresa restrita no seu quadrado para aquilo que foi constituída, mas que ela se preocupe com o seu entorno, com os seus funcionários, com o local onde está instalada, com o meio ambiente, com os problemas sociais. Tem que ajudar no sentido de fazer um desenvolvimento regional integrado, enfim, dar a sua colaboração para construir um mundo melhor. Aí eu tenho visto empresas e mais empresas no mundo inteiro 'vestindo essa camisa'. A Itaipu faz exatamente isso. Desde quando nós assumimos, recebemos essa missão, na época do presidente Lula que indicou que queria que a nossa empresa, além de continuar sendo a maior produtora de energia do mundo, mas ao mesmo tempo lembre-se que mora num território, ao seu redor tem gente passando dificuldade, meio ambiente pedindo e gritando por uma atuação melhor, cuidar bem da água, cuidar bem das pessoas e cada vez se integrar mais com o nosso sócio Paraguai, que é dono de 50% de Itaipu. E ela adotou esses conceitos, essa determinação, somado a esse trabalho que vem sendo desenvolvido em inúmeras empresas hoje que estão adotando essa sistemática. Que não seja uma vontade da direção da empresa ou do conselho de administração da empresa, mas que nós como cidadão trabalhando numa empresa que tem essa especifidade e essa responsabilidade, cada um seja um agente da transformação. Que consiga trabalhar com esses conceitos de construir um mundo melhor, mais justo, que tenha muito emprego, abundância, renda, oportunidades de trabalho, mas que também tenha um profundo respeito ao meio ambiente, à sustentabilidade e às gerações futuras que virão”. 

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Vacy Alvaro

Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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