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MUNDO ÁGUA

Ter, 22 de Março de 2016 09:07

"O brasileiro aprendeu muito com a crise hídrica", destaca diretora da ANA

Escrito por  Vacy Alvaro
Rio Paranapanema, que divide os estados de São Paulo e Paraná. Foto: Agência Nacional de Águas (ANA). Rio Paranapanema, que divide os estados de São Paulo e Paraná. Foto: Agência Nacional de Águas (ANA).

Pouca gente se dá conta no dia a dia, mas investimentos em questões relacionadas à água podem impactar diretamente na geração de empregos e no desenvolvimento de uma região. Foi isso o que apontou o Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos.

Segundo o documento, três a cada quatro postos de trabalho dependem essencialmente da água, e que problemas como escassez e falta de acesso podem limitar o crescimento econômico global nos próximos anos. Em virtude disso, neste ano a relação “Água e Emprego” foi elencada como tema principal do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março pela ONU-Água, mecanismo interagencial das Nações Unidas.

Em entrevista à Web Rádio Água, a diretora da Agência Nacional de Águas (ANA), Gisella Forattini (foto à esquerda), comentou sobre estes dados e a crise hídrica vivenciada pelo Brasil, sobretudo nos últimos dois anos. Apesar da crise hídrica ter tomado parte dos noticiários e chamado a atenção da sociedade para a preservação da água, pouca dessa preocupação teria se traduzido numa mudança comportamental do brasileiro: 

“Esse relatório traz a água como um insumo produtivo indispensável às atividades econômicas, seja para produção de energia, seja para a produção de alimentos. A água vincula-se de modo absolutamente determinante para a criação e manutenção do emprego e do trabalho. Nós temos, de acordo com esse relatório, cerca de 3 a cada 4 postos de trabalho da força produtiva global são altamente dependentes ao acesso da água ou qualquer outro serviço relacionado com a água, demonstrando dessa forma que a água é essencial para a manutenção e criação de empregos diretos. É evidente que a crise traz para a discussão todo brasileiro. Cada brasileiro sabe o que isso representa em suas atividades diárias. Sem dúvida isso trouxe todo mundo falar sobre o Cantareira. Os brasileiros estavam acompanhando a questão do Cantareira. Então isso tudo tem um lado positivo, que é trazer para as discussões diárias a questão da crise. Se você me pergunta se o comportamento do brasileiro mudou, vou dizer que muito pouco em relação ao consumo da água. A questão da abundância, porque o Brasil detém 12% de toda a água doce do planeta e isso traz uma ideia errada para nós, porque essa água é muito má distribuída. Você tem locais, como no Sul, que tem abundância de água (inclusive para a agricultura), e você tem o Semiárido Brasileiro com índices baixíssimos de água”. 

Gisella Forattini também comentou sobre as ações promovidas pela Agência Nacional de Águas (ANA) em relação à segurança hídrica e outros aspectos que envolvem a oferta de água em qualidade e quantidade à população: 

“Nós temos aprendido muito porque essa questão de falta de água antigamente era típica da região do Semiárido. E nós vimos que, em 2014 e 2015, a região Sudeste sofreu muito com a crise hídrica. Então é uma questão de gestão de água. Quando a crise se instala é necessário sentar-se em volta de uma mesa, chegar a um acordo mínimo, discutir resoluções… Nós tivemos uma situação muito dramática no Piranhas-Açú, em que tivemos, junto com os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte, de tomarmos uma decisão de impedirmos a irrigação e o uso da água para a agricultura nessa bacia, porque tínhamos que preservar a água para o abastecimento humano, que é a condição primeira da nossa lei. Temos trabalhado em várias frentes aqui na Agência Nacional de Águas (ANA): fortalecido os estados por meio do Pró-Gestão, que é um programa interessante onde definimos metas juntamente com os estados e conselhos estaduais de recursos hídricos. Estamos trabalhando num plano nacional de segurança hídrica juntamente com os estados e o Ministério de Integração Nacional definindo obras estruturantes necessárias. E quanto eu falo em segurança hídrica, não falo apenas na questão de reservação. É fazer a água andar por meio de adutoras e tudo mais. Estamos trabalhando junto com o Ministério das Cidades num Atlas de Despoluição de Bacias Hidrográficas. A água não fica escassa só pela quantidade, mas pela qualidade. Se você tem esgoto sendo jogado in natura nos nossos rios, isso faz com que tenhamos menos água em qualidade para o abastecimento urbano. Então a gente vem tomando algumas iniciativas, trabalhando bastante, inclusive com o setor da agricultura, para saber qual a real demanda do campo. Enfim, com os vários setores para conseguirmos ter uma melhor ideia, tanto de disponibilidade quanto de demanda nas diversas regiões do Brasil”. 

Nesta terça-feira (22), em alusão ao Dia Mundial da Água, a Agência Nacional de Águas (ANA) promove uma série de atividades em sua sede, em Brasília (DF). O Seminário sobre a Crise Hídrica e a Segurança de Barragens no Brasil, será dividido em quatro linhas principais: 

“Uma é discutir a crise que continua assolando o semiárido e tem perspectiva de piora nessa situação; outra questão vai ser o desastre de Mariana (MG), onde tivemos o Rio Doce absolutamente impactado; uma terceira mesa discutindo as questões da crise hídrica e as lições aprendidas com a própria crise; e uma quarta mesa com alguns lançamentos importantes, tanto da Agência Nacional de Águas (ANA) quanto da Organização das Nações Unidas (ONU). Nós temos também o lançamento do Sistema Nacional de Formação de Recursos Hídricos junto com o nosso Relatório de Conjuntura. Temos o lançamento do Monitor de Secas e um filme sobre o 8º Fórum Mundial da Água, que vai acontecer no Brasil em 2018”. 

Para os próximos dois anos, os temas do Dia Mundial da Água já foram definidos. Em 2017, as discussões serão acerca da Água Residual, resultante de diferentes tipos de processo e que geralmente pode ser reutilizada para fins que demandem menos qualidade. Já em 2018, o tema será Soluções Naturais para a Água. 

Última modificação feita em Ter, 22 de Março de 2016 10:18
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Vacy Alvaro

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Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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