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MUNDO ÁGUA

Ter, 07 de Junho de 2016 15:10

Professor de Santa Catarina explica o fenômeno “maré vermelha”

Escrito por  João Mota
Maré vermelha é um fenômeno que acontece em todos os mares do planeta Maré vermelha é um fenômeno que acontece em todos os mares do planeta Foto: Divulgação

A maricultura e a pesca são as principais fontes de renda de comunidades litorâneas de Santa Catarina. A alta concentração de algas - fenômeno tradicional conhecido como “maré vermelha”-  fez com que a Secretaria da Agricultura e da Pesca do Estado determinasse no dia 26 de maio a proibição da retirada, comercialização e consumo de ostras, mexilhões e seus derivados. 

O motivo da restrição é a presença de toxinas nestes alimentos que podem causar  problemas à saúde do consumidor. O professor da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), de Santa Catarina, Gilberto Manzoni, que também é produtor de mariscos, explica o fenômeno: 

“Maré vermelha é um termo geral que usamos para definir a proliferação ou a reprodução massiva de microalgas no ambiente marinho. Inclusive as microalgas é a base da cadeia antrópica, quer dizer que servem de alimentos para zooplâncton, para animais e outros organismos. Dentro do grupo das microalgas tem algumas espécies que produzem toxinas, são as algas que a gente define como produtoras de maré vermelha. Essas toxinas podem ser desde diarreicas ou toxinas que atacam o sistema nervoso central. A gente tem o monitoramento de várias espécies aqui no litoral de Santa Catarina, justamente para qualificar o produto cultivado e ver se nesse momento essas algas estão em quantidade significativa acumuladas nesses organismos que podem prejudicar o consumo e a comercialização de moluscos”. 

Além da poluição costeira, outros fatores potencializam o surgimentos das microalgas:

“A poluição costeira contribui com isso, porque infelizmente vai para a água e faz com que essas algas cresçam, associados também a períodos de insolação. Mas os fenômenos podem se associar também as águas que vem da Antártida com mais nutrientes. São águas mais ricas e pela questão de ventos e correntes costeira, essa água chega até a superfície e faz com que essas algas se reproduzam de maneira intensa. As características dessas algas, que formam a maré vermelha, é uma rápida velocidade de reprodução. Elas formam aglomerados de algas, dando essa coloração mais avermelhada, um pouco mais escura. Basicamente é enriquecimento de nutrientes que podem ser tanto de ressurgências, de águas mais frias da Antártida. Ou também períodos de chuvas que carreia águas dos rios para áreas costeiras, associado a isso tem que ter sol para as algas se reproduzirem. É um somatório de fatores, não é de maneira isolada que esse fenômeno ocorre, mas sim com a somatória de fatores.”

A “maré vermelha” é bastante conhecida em Santa Catarina. Por isso os níveis de qualidade da água são regularmente monitorados no litoral.

“Santa Catarina começou a implementar o monitoramento de maneira regular a partir do final dos anos 90. E a partir de 2010, o Governo Federal, através do extinto Ministério da Pesca e Aquicultura, começou também a portar recursos para fazer o monitoramento, feito há quase 20 anos no litoral de Santa Catarina. As coletas são feitas nas áreas de cultivo a cada duas semanas. Temos vinte e nove pontos monitorado no litoral. Vai se fazendo essas amostragens semanais em todo litoral, mas nas áreas de cultivo as amostragem são feitas a cada duas semanas”. 

Mesmo com o prejuízo gerado pela proibição, Manzoni comenta sobre a seriedade das instituições ao estabelecerem períodos de paralisação na produção:

“O ponto positivo dessa interdição é que demonstra que Santa Catarina tem um controle de qualidade desses produtos que são vendidos para todo o Brasil. É ruim que não se pode vender num certo período, mas por outro lado comprova a seriedade do monitoramento, demonstrando que o produto realmente é certificado. Salientar que realmente é um prejuízo temporário, mas é importante que demonstra que Santa Catarina tem seriedade e monitora seu cultivos”. 

Santa Catarina é responsável por 95% da produção de todos os moluscos consumidos no Brasil. Em 2014, o volume foi de quase 22 toneladas. O Governo do Estado calcula que o lucro total dos produtores catarinenses seja equivalente a R$ 70 milhões por ano. 

Escrito por João Mota com supervisão de Vacy Alvaro.

Última modificação feita em Seg, 11 de Julho de 2016 15:53
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