Ouça o áudio e acompanhe o texto da segunda parte da série de reportagens sobre a várzea, produzida por pelo repórter Cesar Sousa, do projeto Rádio pela Educação, você vai conhecer um pouco mais sobre o varzeiro, morador de áreas que vive segundo o fluxo de mudança das águas.
“Muitas pessoas escutam falar da Várzea, mas não sabem dizer o que é esse ambiente complexo e dinâmico movido pela subida e descida das águas. A várzea é toda a área ao longo de um rio que alaga durante a enchente. Mas, além da enchente existem outras épocas do ano: a cheia, a vazante e a seca que determinam o ciclo de vida das plantas e animais.
O varzeiro é um profundo conhecedor das mudanças causadas pela subida e descida da água, por isso, segue também o ciclo do rio e da chuva. Sabe onde estão as espécies de plantas e animais que procura e o que estão fazendo em cada época do ano.
Eliene Sousa de Carvalho tem trinta anos e faz a sexta série, na escola São Jorge do Tapará Grande. Ela, assim como tantos outros alunos e professores da várzea, tem o histórico escolar marcado pelo vai e vém das águas. E nesse ambiente, onde há uma rica interação dos seres aquáticos com os terrestres, há também muitas iniciativas para a interação na escola. É o caso do projeto desenvolvido por professores do modular na escola Coração de Maria, em Santa Maria do Tapará.
O professor do ensino fundamental Edinei José Valente faz elogios ao projeto. A proposta é muito simples. Alunos do ensino médio aprendem ensinando alunos do ensino fundamental. E isso nas diversas disciplinas. Português, Arte, Ciência, Literatura.
A interação entre professores e alunos dos ensinos fundamental e médio na várzea não se dá somente na escola, mas também no caminho, ou melhor, no barco que faz o transporte dos estudantes para a escola. A turma do modular sempre pega carona no transporte do ensino fundamental. O grande problema é quando terminam as aulas do município. Sabem o que acontece? Se não tiver rabeta e dinheiro pra comprar combustível para o motor, os alunos do modular tem que remar bastante para chegar até a escola, contra a correnteza na subida e a favor na descida dessas águas da várzea.
No próximo programa, você vai conhecer mais um pouco da comunidade que nos acolheu, Tapará Grande, e suas vizinhas amigas Santana do Tapará e Boa Vista do Tapará. Até lá!”

