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MUNDO ÁGUA

João Mota

João Mota

O que muitos não sabem é que o subsolo da cidade de São Paulo esconde um grande volume de águas subterrâneas. A iniciativa NascenteSP, fruto de um amplo trabalho de pesquisa, tem como missão mapear essas nascentes da metrópole paulista.

A ação é realizada de forma voluntária em parceria com outros grupos organizados,  promovendo a interação homem - meio ambiente. Identificar essas fontes não é uma tarefa fácil, levando em consideração que a maioria das vertentes estão escondidas, canalizadas ou até mesmo irregularmente encobertas por concreto. A voluntária Andrea Pesek explica a importância do trabalho:

“Existem em São Paulo aproximadamente 4.500 quilômetros de cursos d'água. São milhares de nascentes. Todas essas (águas) que analisamos, que não são potáveis, porém elas podem ter vários usos como regar hortas, lavar roupas e até tomar banho.E principalmente numa situação como a de São Paulo, de crise de abastecimento, as pessoas já usam essas águas, inclusive para beber. Porém eles não sabem a qualidade dessas águas, então estamos fazendo placas informando para as pessoas a qualidade e a que uso elas se prestam. Então esse trabalho de informação é muito importante porque é problema de saúde publica.”

Depois de identificadas, por meio da ações locais de mutirões colaborativos, essas nascentes são revitalizadas e com apoio técnico da Odebrecht Ambiental são feitas análises de qualidade da água.

“ A situação das nascentes da cidade é de abandono, elas estão esquecidas. Muitas pessoas de algumas comunidade fazem bicas e tentam fazer pequenos reservatórios. Porém o cuidado com essas nascentes é uma questão que queremos envolver a população para olharem para essas águas e se apropriarem desses espaços onde tem as nascentes e serem protagonistas do cuidado com as águas da cidade.”


Como órgãos públicos não interagem com as ações do projeto, para continuar promovendo seus trabalhos, a iniciativa NascentesSP conta com o apoio de cidadãos preocupados com a causa. Mais informações estão disponíveis em  www.facebook.com/NascenteSP.

Estudantes, pesquisadores, membros da iniciativa privada e entusiastas do setor de energia limpa e renovável da América Latina participaram em Florianópolis (SC) do Seminário Energia + Limpa. O evento, promovido pelo Instituto Ideal na primeira semana de junho, teve como um de seus temas principais o estímulo à expansão das energias renováveis por parte das organizações públicas e privadas.

A crise hídrica vivenciada pelo Brasil, que até o ano 2000 tinha 80% de sua matriz elétrica baseada em hidroeletricidade, é a principal razão para se investir ainda mais em fontes alternativas limpas e renováveis. Mauro Passos, presidente do Instituto Ideal, destacou a importância da qualificação da mão-de-obra no setor e a necessidade da integração entre os países da América Latina:

“No meu entendimento entre as prioridades está a questão e a necessidade da criação de mão-de-obra, de um maior conhecimento nessa área e também de uma possibilidade de integração. Eu sempre vejo no Brasil essa porta de entrada, pelo tamanho do país, pela dimensão que nós temos. É o que vai nos dar escala para as energias renováveis, tanto eólica quanto solar. Mas como os demais países também tem essa necessidade de energia e têm esse potencial, eu acho que um olhar para a questão da integração latinoamericana nessa matriz limpa e renovável faz parte também desses encontros que nós promovemos.”

Os países da América do Sul já se destacam na área das energias renováveis. No ano passado, o Chile inaugurou a maior usina fotovoltaica da América Latina, com capacidade para atender a demanda de 125 mil residências. Na área da energia eólica, o Brasil é quarto maior investidor mundial, com 195 usinas em operação comercial atualmente. 


Os Agentes Mirins Multiplicadores é um grupo formado por alunos da Escola Estadual Maurício Zákhia junto aos Coordenadores da Educação Ambiental do município de Ijaci, em Minas Gerais. O objetivo é desenvolver ações ambientais que focam em construir espaços saudáveis através da capacitação da juventude local em práticas sustentáveis.

A iniciativa faz parte do Projeto Pamirim, um programa de intervenção que tem como propósito a promoção de uma cultura socioambiental, levando para a população dicas de boas práticas do uso da água e descarte correto dos resíduos sólidos, além de informar sobre o Plano Municipal de Saneamento Básico.

Adrienne Alvarenga, secretária de Desenvolvimento Econômico do Meio ambiente e Turismo do município de Ijaci, comenta sobre algumas da ações diretas desenvolvidas pelos jovens:

“Diversas atividades estão relacionadas, como a troca de óleo de cozinha por sabão ecológico, participação em campanhas com agentes epidemiológicos, realizando visitas domiciliares, mutirão de limpezas nos bairros. Capacitação desses jovens através de cursos pertinentes aos temas como mata ciliar, recursos hídricos, compostagem e lixo. Tem também as visitas as empresas que trabalham com a disposição final de resíduos sólidos domiciliares e perigosos. A partir do segundo semestre estaremos realizando em parceria com a Universidade Federal de Lavras mais cursos de capacitação.”

Desenvolvido em parceria entre órgãos públicos e privados, no início de 2014 o projeto contava com cerca 20 adolescentes, atualmente 50 alunos participam das oficinas e posteriormente, serão selecionados 10 jovens que atuarão como instrutores das próximas turmas. Para outras informações sobre o projeto, acesse: www.ijaci.mg.gov.br .





A quantidade de vegetação pode ser considerada um bom parâmetro para medir a qualidade de vida da população de um município. Nas grandes metrópoles, a urbanização aos poucos foi tomando o espaço dos cursos d'água e das paisagens naturais.

É o caso de São Paulo, onde o rio Tietê se espreme entre o cinza das construções, potencializando enchentes durante a época das chuvas. O concreto e o asfalto funcionam como impermeabilizantes, dificultando o escoamento da água em trechos importantes e desregulando o clima da região.

Uma solução seria devolver ao rio a vegetação de suas margens. Numa ideia, ainda que audaciosa, seria necessário desapropriar os edifícios e afastar as vias pavimentadas que hoje circundam o Tietê e seus principais afluentes, numa tentativa de restabelecer o equilíbrio entre a natureza e a urbanização.

Estudos embasados nessa ideia fazem parte da tese da arquiteta Pérola Felipette Brocaneli, doutora em paisagem e ambiente pela Universidade de São Paulo (USP). Ela fala sobre o possível retorno socioambiental caso a iniciativa fosse implantada.

“A cidade de São Paulo é conhecida por ser um pólo gastronômico, por ser um lugar de tecnologia, de estudo... mas acontece que aqui não se tem muito lazer, não se tem muito contato com o meio ambiente. Então é uma questão a ser aprimorada e isso faria com que o paulistano ficasse mais feliz, tivesse mais lazer e faria com que os nossos turistas tivessem mais um motivo para estar aqui. A qualidade de vida da cidade melhoraria muito porque o que eu defendo na tese é um sistema de umidificação e de refrigeração para a cidade de São Paulo”.

Na proposta, o tempo estimado para o trabalho de revitalização e reflorestamento seria de  30 anos. Com a recuperação dessas áreas, juntamente com a implantação de políticas públicas eficientes, a demanda por carros particulares tenderia a diminuir, já que as opções de serviço e lazer estariam melhor distribuídas pela cidade. Mesmo sendo utópica, a ideia seria uma boa saída para acabar com os alagamentos na cidade e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos paulistanos.



A tecnologia espacial tem sido uma importante ferramenta para a agricultura e a agropecuária do País. Utilizada em estudos e análises hídricas, esse tipo de inovação garante dados mais precisos de grandes áreas e ainda agiliza as pesquisas, que de forma manual, levariam muito mais tempo para chegar aos resultados.

Nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, as principais bacias hidrográficas tem sido monitoradas em tempo real a partir de imagens de satélite. A ação surgiu de projetos financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Embrapa em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

As informações obtidas a partir das estações meteorológicas estão sendo associadas com dados provenientes de sensoriamento remoto e com imagens captadas do espaço. As imagens coletadas permitem analisar, com nitidez, áreas preservadas e degradadas. Isso facilita a busca por soluções de problemas que variam conforme cada região.

Antonio Heriberto Teixeira, Pesquisador da Embrapa Monitoramento e Satélite, comenta sobre a eficiência dessas ferramentas no estudo de recursos hídricos:

“O uso dessas ferramentas é de grande importância para a redução dos custos de produção, subsidiando as ações relacionadas com os recursos naturais, incluindo os efeitos das alterações climáticas e ambientais. Com a aplicação dos algoritmos desenvolvidos, os excessos ou as deficiências de água que comprometem tanto a produtividade como a qualidade das colhidas vem sendo identificados, auxiliando o gerenciamento hídrico.”

Na pesquisa, os focos determinantes são: cobertura vegetal, produção de biomassa, produtividade da água e evapotranspiração* e demandas hídricas. As informações obtidas nos estudos irão direcionar a formulação de políticas públicas relacionadas ao contexto de mudanças climáticas e escassez de recursos hídricos.

As análises também são úteis para a geração de critérios racionais do manejo da água no caso de rápidas mudanças no uso da terra, indicando ao produtor rural qual a cultura é mais viável de acordo com a estação climática e a região, além de identificar sistemas de irrigação com baixo desempenho.

*Transferência de água do solo por evaporação e da planta por transpiração para a atmosfera.


 

Segundo o Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, a irrigação demanda 72% da água consumida no País. Com base nesses dados a Agência Nacional de Águas (ANA) em parceria com o Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada (INOVAGRI) está promovendo em todas as regiões do País o curso 'Manejo da Irrigação: Quando, Quanto e Como Irrigar'.

Na capacitação os participantes irão aprender sobre os diferentes sistemas de irrigação, o manejo das águas residuárias da atividade, a drenagem agrícola e a outorga de direito de uso de recursos hídricos para irrigação. A gestão e a operação de perímetros irrigados também serão discutidas, assim como o momento, a quantidade de água e a forma adequada de irrigar.

O curso é gratuito e voltado para extensionistas rurais, técnicos e profissionais de instituições do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh) com atuação em irrigação ou interesse no tema. Durante as aulas, os instrutores usarão exemplos práticos conforme a realidade de cada local, facilitando a compreensão dos alunos.

Daniela Chainho, especialista em recursos hídricos da coordenação de capacitação da ANA, explica o foco da iniciativa:

“A importância social desses cursos é sensibilizar e capacitar especificamente o setor de agricultura irrigada, que é o setor usuário que mais demanda água. O foco da capacitação é o uso racional da água e a eficiência na produção agrícola, ou seja, queremos com isso acabar com o desperdício e perdas de água na irrigação. Assim o produtor rural vai aliar eficiência na produção e redução nos custos envolvidos, economizando na conta de água e também na conta de energia elétrica .”

Além de participar das capacitações, a intenção é que o público atue como multiplicador destas informações em suas regiões:

“Temos uma expectativa ousada de que essa prática se dissemine de produtor para produtor e também com a ajuda dos técnicos do setor, para que aqueles que não conseguirem participar dos cursos por conta do limite de vagas também possam praticar o manejo adequado de irrigação. Assim integraremos a Política Nacional de Recursos Hídricos com a Política Nacional de Irrigação, melhorando a produção agrícola e preservando o nosso precioso recurso que é a água.

Na Região Sul o curso será desenvolvido na cidade de Alegrete (RS). A data de aplicação do curso ainda será publicada no site da INOVAGRI (www.inovagri.org.br). Informações sobre inscrições podem ser obtidas no e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. .
 

Promover a recuperação da Mata Atlântica na região paraguaia do Alto Paraná, interligando reservas ambientais e desenvolvendo o manejo sustentável de recursos com a participação direta da comunidade. Estes são alguns dos objetivos do projeto Paraguai Biodiversidade, que foi criado em decorrência das ações do Programa Cultivando Água Boa, da Itaipu Binacional, e conta com a parceria de outros órgãos do País.

Ao longo de três mil quilômetros de extensão e interligando 52 municípios, o Corredor da Biodiversidade visa ligar as principais áreas ecológicas da região.

O projeto tem como missão transformar o Paraguai em referência mundial em recuperação e conectividade biológica. Pedro Domaniczky, diretor de Coordenação Executiva da binacional, explica a necessidade da implantação do projeto no País.

“O Projeto “Paraguai Biodiversidade” é um modelo que nos ajuda a preservar os remanescentes de mata que existem na região oriental. A região oriental do Paraguai está sendo bastante pressionada pelo cultivo excessivo. Esses núcleos de mata constituem grandes templos de biodiversidade do planeta e pertencem também às futuras gerações. A ideia é que através desses cursos de água emende também a proteção dessas matas com nascentes de um lado ao outro do corredor, e dessa forma construir essas rede que chamaremos de Projeto Paraguai Biodiversidade, tendo a Itaipu como um dos principais executores do projeto.”

Domaniczky também fala sobre a importância e o retorno social para os cidadãos que habitam próximo ao Corredor de Biodiversidade.

“A ideia é que, através desse projeto, possamos gerar rendas alternativas com produtos alternativos. E assim dar apoio para a parte de recomposição para a “cortina florestal“ com uma proteção de espécies não nativas mas com alta produtividade florestal, de modo que devolva uma renda ao produtor, assim como o corredor em sí também passe a ter elementos que atenda ao temas das abelhas (apicultura) e de ervas nativas. E o que seria o sistema agroflorestal? Isso é principalmente para os pequenos produtores e para utilizar algumas áreas da mata remanejadas, porém compensando com a linha de conexão e com isso cumpram com a “lei dos 25%” (de área coberta exigida pela lei paraguaia). Por outro lado ter com esse projeto a possibilidade de gerar renda com produtos com certificação de sustentabilidade. Essa é a ideia que queremos ir criando.”

O Projeto “Paraguai Biodiversidade” é um modelo para a preservação de matas, rios e nascentes, além de possibilitar o tráfego de animais silvestres de um núcleo ambiental para outro. O projeto prevê ainda um trabalho de coscientização de agricultores para que possam atuar como agentes ambientais.

A iniciativa conta com apoio técnico e financeiro do Fundo Mundial para o Meio Ambiente e do Banco Mundial.

O 1º Prêmio de Agricultura Familiar – Região Sul do Brasil, está chegando à sua reta final. Dos 188 trabalhos inscritos, nove reportagens foram selecionadas nas categorias Jornalismo Impresso, Digital e Eletrônico. Voltado para jornalistas diplomados dos três estados do Sul do País, o prêmio tem com foco retratar a realidade da agricultura familiar e contribuir para a discussão sobre o tema.

A iniciativa é promovida pela Unidade de Coordenação de Projetos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) da Região Sul do País e tem o patrocínio da Itaipu Binacional, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre outras instituições.

Os vencedores de cada categoria serão anunciados nesta sexta-feira (17/04), durante um café da manhã no Mercado Municipal de Curitiba. Os finalistas são Alessandra Odega (Florianópolis), Cíntia Patricia Junges (Curitiba), Clarinha Glock (Porto Alegre), Ermilo Guilherme Drews Neto (Novo Hamburgo), Jessica Carolina Moreira (Cascavel), Jucinei Cardoso (Florianópolis), Leandro Marinai Mittmann (Porto Alegre), Maristini Weiand (Porto Alegre) e Ricardo Rossi (Curitiba).

De acordo com Carlos Biasi, oficial nacional da FAO na região Sul do Brasil, os objetivos do prêmio foram alcançados. Ele também comenta sobre a expectativa da realização de novas edições do prêmio com a possibilidade de alcance nacional:

“O esforço desenvolvido pelos diversos jornalistas premiados permitiu oferecer uma visão de significativa parte da realidade da agricultura familiar e que a própria agricultura vivencia na região sul do Brasil. Nós nesse ano encerramos esse prêmio e acreditamos que se houver interesse por parte dos parceiros, nós poderemos no ano de 2016 voltar a desenvolver um segundo Prêmio de Agricultura Familiar de Jornalismo para a região sul do país e quiçá para o Brasil como um todo.”

Segundo dados da FAO, a agricultura familiar é responsável por 68% da produção de alimentos no mundo. No Brasil, 77% dos empregos gerados no setor agrícola são atribuídos a esse tipo de agricultura.

Uma forma de avaliar a qualidade da água de um rio é observando as diferentes formas de vida que nele habitam. Um exemplo de indicador é a quantidade de espécies de macroinvertebrados, que são pequenos organismos sensíveis à poluição e que desenvolvem pelo menos uma fase de seu ciclo de vida em ambientes aquáticos.

Em Curitiba (PR), uma pesquisa coordenada pelas biólogas Edinalva Oliveira e Ana Meyer da Universidade Positivo (UP) – com a participação dos alunos do curso de Ciências Biológicas - tem como objetivo avaliar a qualidade da água do Ribeirão Calixto, que pertence à bacia hidrográfica do Rio Iguaçu e está localizado na Mata do Uru, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural no município da Lapa (PR).

A cada estação climática, um grupo de pesquisadores realiza amostragens em diferentes partes do curso d'água. Na sequência, nos laboratórios da Universidade, os organismos são identificados e quantificados. Os dados obtidos são compilados para a obtenção de índices de qualidade ambiental.

O projeto, além de medir a qualidade da água, também deve servir de base para um inventário sobre a fauna de macroinvertebrados encontrados na região do Rio Calixto. Na pesquisa, diferentes espécies foram encontradas, comprovando a boa qualidade da água na reserva, conforme explica a pesquisadora Edinalva Oliveira, da Universidade Positivo.

“Os resultados que nós obtivemos são altamente positivos. A água do Uru é extremamente boa. Tem uma alta concentração de oxigênio, o que permite que possamos encontrar ali mais de 40 espécie de macroinvertebrados diferentes. Todas as espécies que encontramos são importantes, mas mais da metade delas - que são aproximadamente 30 espécies - são altamente exigentes. Então por isso podemos dizer que o Ribeirão Calixto é um rio que tem na área de preservação ambiental da Mata do Uru uma ótima qualidade de água.”

A pesquisadora também comenta sobre as espécies encontradas na Mata do Uru e a importância destes organismos para o controle da fauna na reserva.

“Dentro da Mata do Uru nós encontramos uma espécie de molusco que está incluída na lista de animais brasileiros ameaçados de extinção. Encontramos espécies de caranguejos que são importantes no controle de larva de mosquitos. Mosquitos 'borrachudos' que incomodam bastante as pessoas. Temos uma espécie de caranguejo que faz o controle das populações desses mosquitos. Nós também encontramos larvas de libélula, que são insetos bem exigentes e importantes na determinação do que é qualidade de água como um todo.”

Este é o primeiro estudo feito na Reserva Particular da Mata do Uru e também pioneiro no municipio da Lapa. A intenção é que a pesquisa seja referência para futuras análises de qualidade da água nas microbacias da região.

O Manejo Florestal Sustentável é uma forma de exploração de recursos naturais que garante a recuperação, regeneração e recomposição do ecossistema. No nordeste brasileiro, região marcada por secas, a exploração feita de forma desordenada e sem dialogar com a realidade comunitária local está provocando o aumento da desertificação.

Neste cenário, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) adotou uma estratégia diferenciada: fomentar a sustentabilidade da cadeia produtiva da lenha, principal fonte energética dos parques industriais nordestinos. Entre as principais ações estão o desenvolvimento de cursos sobre manejo florestal para estudantes de escolas técnicas e empresas ceramistas da região, além de capacitar e prestar assistência aos moradores de assentamentos em áreas rurais.

Desta forma, o manejo sustentável das florestas tornou-se uma fonte de renda para famílias de áreas rurais e uma forma de preservar a Caatinga, evitando o desgaste do solo, das nascentes e da fauna. Neste sistema as propriedades são divididas em áreas de produção, e em intervalos anuais apenas uma dessas partes é explorada. Desta forma, os assentamentos rurais tornam-se potenciais fornecedores para os parques industriais e o comércio regional.

Newton Barcellos, chefe do Serviço Florestal Brasileiro da Unidade Nordeste, conta mais detalhes das ações e como funciona a estratégia:

"E como é que funciona o manejo? O Engenheiro Florestal contratado da assistência técnica vai na propriedade, faz o inventário florestal e determina. Como o ciclo de corte aqui na região regulamentado pelo Ministério do Meio Ambiente é de na faixa de 15 anos, então aqueles 25% da fazenda é dividido em 15 talhões e a cada ano o agricultor corta um talhão. Acabando aquele talhão ele vai para o talhão dois, de maneira que quando chega no décimo quinto talhão, o talhão um já está pronto para se cortar de novo. Então desse total que está destinado ao plano de manejo eu só corto 1/15 todo ano e o restante está sob cobertura florestal igual a área de preservação permanente e a área de reserva legal. Ou seja, com o plano de manejo eu estou mantendo mais cobertura florestal naquela propriedade, onde tem toda a fauna existente ali.”

Newton Barcellos também ressalta que o plano de manejo aumenta a área de cobertura florestal nas propriedades além do que se é exigido pela lei ambiental brasileira:

“Quando a pessoa faz plano de manejo, temos reparado que os 20% estão sendo receitados, senão o Plano de Manejo não é aprovado pelo órgão ambiental. E na faixa de 5% são representados por Área de Preservação Permanente (APP), representando 5% do total de todos os assentamentos, e o manejo florestal naqueles assentamentos são representados por 20% e 25% e o restante daquela propriedade ou daquele assentamento é para a agricultura. Então se somarmos os 20% de reserva legal que tem que ser respeitado, vamos colocar ai uns 5% em média de preservação permanente que costuma ter nas propriedades, com mais uns vinte e poucos (por cento) destinados ao manejo florestal, já temos mais de 50 % da propriedade protegida. Ou seja, o plano de manejo trás para a realidade mais 20% de proteção."

A ação é legal e não compete com outras atividades produtivas, como a apicultura e a pecuária. O estímulo à agricultura familiar faz do manejo mais uma forma de se conviver de maneira sustentável com o semiárido.


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